
Racha à direita: Eduardo cobra lealdade e fala em “amnésia seletiva” no bolsonarismo
Ex-deputado critica a frieza de aliados diante da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e vê apoio tardio movido mais por cálculo eleitoral do que por convicção
As disputas internas no campo da direita ganharam novos contornos — e tons mais ásperos — com declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista recente, ele acusou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira de manterem distância excessiva da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Para Eduardo, a postura beira uma “amnésia” conveniente.
Segundo ele, a falta de engajamento explícito de figuras eleitas sob a sombra política de Jair Bolsonaro revela um apoio calculado, que só viria quando a campanha já estivesse consolidada. “Quando embarcarem, ficará claro que não será por princípios, mas por estratégia eleitoral”, disparou.
As críticas foram feitas ao SBT News, onde Eduardo afirmou que o apoio ao irmão está “aquém do desejável”. Ele também demonstrou incômodo com declarações de Nikolas, que teria defendido a ideia de transformar a campanha em um “projeto coletivo”, e não centrado exclusivamente em Flávio.
Para Eduardo, o cenário é simples e polarizado: Flávio Bolsonaro contra Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse contexto, segundo ele, não haveria espaço para hesitações nem para negociações tardias. Ainda assim, evitou detalhar o que chamou de “jogo” compartilhado por Nikolas e Michelle, preferindo dizer que o melhor seria perguntar diretamente a eles.
A resposta veio rápido. Em coletiva após visitar Jair Bolsonaro na prisão da Papuda, Nikolas rebateu as acusações e descartou qualquer “amnésia”. Disse que o momento exige foco em temas mais graves, como a situação do ex-presidente e os rumos do país. Para ele, atacar aliados agora revela mais sobre quem critica do que sobre quem é criticado.
“Bater em mim eu já estou acostumado”, afirmou o deputado mineiro, acrescentando que Michelle enfrenta um momento pessoal delicado e não deveria ser arrastada para disputas públicas. Em tom ácido, concluiu dizendo que Eduardo “não está bem” e que prefere gastar energia com o que considera essencial: “um Brasil para salvar”.
O episódio escancara que, antes mesmo do início oficial da corrida eleitoral, o bolsonarismo já enfrenta suas próprias fissuras — e que, em ano pré-eleitoral, a memória política parece falhar conforme a conveniência.