Lula nega diálogo com Trump e critica tarifas americanas

Lula nega diálogo com Trump e critica tarifas americanas

Presidente brasileiro acusa governo dos EUA de postura política e defende reformas na ONU e equilíbrio internacional

Em entrevista à BBC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não mantém nenhum tipo de relação com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo Lula, nunca houve tentativa concreta de diálogo, e qualquer contato institucional estaria travado pelo desinteresse do governo americano.

“Não existe relação”, resumiu o presidente, quando questionado sobre o tema.

O tom crítico se intensificou após a decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida que Lula classificou como “eminentemente política” e que, na prática, encarecerá produtos para o consumidor nos Estados Unidos. “O povo americano vai pagar pelos erros do presidente Trump em sua relação com o Brasil”, disse.

Lula também comentou a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, por tentativa de golpe de Estado. O presidente acusou Bolsonaro e aliados de terem “ferido o país, tentado um golpe e planejado minha morte”, e criticou a declaração de Trump de que Bolsonaro seria vítima de perseguição política, chamando-a de “invenção de inverdades”.

Durante a entrevista, Lula defendeu mudanças na governança global, questionando o poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e pedindo maior representatividade para países emergentes. Ele também falou sobre o equilíbrio nas relações internacionais, explicando que o Brasil mantém compras de petróleo russo por necessidade energética, assim como outras grandes economias.

O presidente comentou ainda sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, garantindo que o país segue a legislação e que assumirá responsabilidades em caso de acidentes.

Aos 79 anos, Lula afirmou que ainda não decidiu sobre uma possível candidatura à reeleição em 2026, condicionando a decisão à sua saúde, apoio partidário e cenário político.

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