
Relatório do Coaf levanta suspeitas sobre repasses milionários e cita ligação indireta com negócio envolvendo Toffoli
Transferências de R$ 11,5 milhões a escritório de baixo faturamento acendem alerta para possível irregularidade financeira e ampliam debate sobre transparência
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras colocou sob suspeita uma série de movimentações financeiras envolvendo empresas do grupo J&F Investimentos e um escritório de advocacia em Goiânia. Os dados indicam repasses que somam R$ 11,5 milhões, considerados incompatíveis com o perfil financeiro da empresa destinatária.
O caso ganhou ainda mais repercussão ao revelar conexões indiretas com o empresário Paulo Humberto Barbosa, que posteriormente adquiriu participação em um empreendimento que já teve como sócio o ministro Dias Toffoli.
💰 Movimentações fora do padrão chamam atenção
Segundo o relatório, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o escritório pertence à advogada Maísa de Maio Marciano e apresentava um faturamento mensal médio de cerca de R$ 9 mil — valor muito inferior às quantias recebidas.
As transferências ocorreram em dezembro de 2023:
- R$ 8 milhões pagos pela JBS
- R$ 3,5 milhões repassados pela J&F Investimentos
No mesmo dia em que recebeu parte dos valores, a advogada transferiu R$ 3,5 milhões para Paulo Humberto Barbosa.
Além disso, outros R$ 6,9 milhões foram enviados ao BK Bank, empresa que já apareceu em investigações envolvendo suspeitas de dificultar rastreamento de recursos.
O Coaf classificou as transações como de “alto risco para lavagem de dinheiro”, destacando a ausência de documentação que justificasse os valores movimentados.
🔗 Ligação com negócio envolvendo Toffoli
O nome de Paulo Humberto Barbosa aparece no centro das conexões financeiras. Em 2025, ele adquiriu participação no Tayayá Resort, empreendimento que tinha como um dos sócios o ministro Dias Toffoli.
A relação entre os fatos chamou atenção porque, dias após parte das movimentações financeiras, em dezembro de 2023, Toffoli tomou uma decisão relevante: suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à J&F em acordo com o Ministério Público Federal.
Embora não haja, até o momento, comprovação de irregularidade direta envolvendo o ministro, a coincidência temporal e as conexões indiretas levantam questionamentos e ampliam o debate público sobre transparência e conflito de interesses.
📊 Estrutura modesta e valores milionários
Outro ponto que reforça as suspeitas é o perfil do escritório:
- Capital social inicial: R$ 2 mil
- Patrimônio estimado: cerca de R$ 83 mil
- Atuação concentrada em causas de menor valor
Ainda assim, recebeu milhões em um curto intervalo de tempo — algo considerado atípico pelos órgãos de controle.
🏛️ Posicionamento das empresas
Em nota, JBS e J&F Investimentos afirmaram que os pagamentos correspondem a serviços jurídicos devidamente prestados, com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos.
No entanto, não foram apresentados detalhes sobre quais serviços justificariam valores tão elevados, nem esclarecimentos completos sobre o destino final dos recursos.
⚖️ Debate sobre transparência e responsabilidade
O caso expõe uma questão sensível no cenário institucional brasileiro: a necessidade de clareza em movimentações financeiras que envolvem grandes empresas, agentes privados e figuras públicas.
Mesmo sem conclusões definitivas, o episódio reforça a importância de investigações rigorosas e do acompanhamento por órgãos de controle, para garantir que decisões públicas e relações privadas não gerem dúvidas sobre imparcialidade ou integridade.