
Relógio quebrado, Justiça rachada: Moraes manda de volta à prisão homem do 8 de janeiro
Condenado por destruir relíquia no Palácio do Planalto, bolsonarista teve progressão de pena anulada por Alexandre de Moraes, que agora quer saber por que juiz de Minas o colocou no semiaberto
Antônio Cláudio Alves Ferreira, o homem que se notabilizou não por um feito, mas pela quebra de um relógio francês do século XVII durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, está de volta ao presídio em Uberlândia (MG). Condenado a 17 anos de prisão por participação na tentativa de golpe, ele havia conseguido migrar para o regime semiaberto na última terça-feira (17).
Mas o alívio durou pouco. Dois dias depois, na quinta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, puxou o freio de mão na decisão e determinou que ele voltasse para a prisão. De quebra, mandou investigar a conduta do juiz mineiro que havia autorizado a progressão da pena.
A movimentação causou barulho — talvez não tanto quanto o estrago no histórico relógio de Balthazar Martinot, destruído durante a invasão ao Palácio do Planalto. Mas é mais uma peça nesse tabuleiro confuso em que decisões judiciais dançam ao sabor de interpretações, correções e, claro, muita tensão política.
Moraes, que vem sendo figura central no julgamento dos atos antidemocráticos, não só revogou a medida como também quer explicações rápidas: o juiz responsável pela liberação de Antônio Cláudio tem cinco dias para se justificar.
Enquanto isso, o condenado volta para trás das grades. Já o relógio histórico — esse, nem o tempo conserta. E a Justiça brasileira, mais uma vez, vai sendo empurrada entre o zelo constitucional e os cacos de decisões que parecem vir de diferentes fusos.