
Renan mira cúpula da Câmara e diz que caso Master será prioridade no Senado
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos afirma que comissão vai investigar suposta pressão de Hugo Motta e Arthur Lira sobre o TCU
BRASÍLIA — O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que a apuração de uma possível atuação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), no chamado caso Master, será a primeira missão do grupo de trabalho criado no Senado para acompanhar o tema.
Segundo Renan, chegaram até ele informações de que os dois parlamentares teriam pressionado integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar reverter a liquidação do Banco Master. O senador, no entanto, não detalhou como essa suposta pressão teria ocorrido.
Em entrevista, Renan disse que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), da qual é presidente, já instalou um grupo específico para fiscalizar o andamento das investigações. Embora o colegiado não tenha os mesmos poderes de uma CPI, poderá convocar pessoas para prestar esclarecimentos e requisitar documentos de órgãos públicos.
“Recebi informações de que o atual presidente da Câmara e o ex-presidente vêm pressionando setores do TCU para interferir na liquidação do banco”, afirmou Renan, acrescentando que não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão que teria se repetido em outros procedimentos mantidos sob sigilo.
Questionado se se referia diretamente a Hugo Motta e Arthur Lira, o senador foi direto: “Exatamente. São essas as informações que recebi”.
Renan é adversário político histórico de Arthur Lira em Alagoas, o que adiciona tensão ao embate. Procurado, Lira negou as acusações e reagiu com dureza. Em nota, afirmou que Renan estaria “fabricando fake news” para atacar adversários e ganhar visibilidade, além de usar temas sérios de forma leviana para tentar reescrever a própria trajetória política.
Até o momento, Hugo Motta não se manifestou sobre as declarações. O espaço segue aberto para resposta.
Além de mirar a atuação de parlamentares, Renan também levantou críticas a decisões do ministro do STF Dias Toffoli relacionadas ao caso Master. Segundo o senador, causou estranhamento a forma como o ministro teria centralizado a investigação e repassado informações sigilosas ao presidente do Senado.
Renan ainda direcionou críticas ao Banco Central, afirmando que a instituição demorou a agir. Para ele, é necessário cobrar explicações do presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o tempo levado para decretar a liquidação do banco.
De acordo com o senador, o grupo de trabalho da CAE começará oficialmente os trabalhos na primeira semana de fevereiro. Inicialmente formado por sete integrantes, o colegiado deve ser ampliado após o interesse demonstrado por outros senadores.
Entre as ações previstas estão audiências públicas, pedidos formais de informações sigilosas ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e, dependendo das decisões do plenário, até quebras de sigilo.