
Moraes barra entrevista de Nem da Rocinha para série da Netflix
PGR alegou “risco de glamourização” e convenceu o ministro a vetar a gravação com o ex-traficante, que seria destaque em uma produção sobre o crime no Rio.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu proibir a Netflix de gravar uma entrevista com Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, que seria usada em uma série documental sobre o tráfico e o poder paralelo nas favelas do Rio de Janeiro.
A decisão veio após um alerta da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou o projeto da plataforma um possível “risco de glamourização inaceitável” da imagem de Nem, um dos traficantes mais conhecidos do país.
A PGR argumentou que a aparição do ex-chefe do morro poderia transformar um personagem condenado por crimes graves em uma espécie de “anti-herói popular”, o que, segundo o órgão, representaria um perigo simbólico num país ainda marcado pela violência urbana e pela desigualdade.
Atendendo ao pedido, Moraes determinou que qualquer entrevista, gravação ou reprodução de imagem do ex-traficante para fins de entretenimento ou documentário está vetada enquanto ele estiver sob custódia da Justiça.
Nem da Rocinha cumpre pena por tráfico internacional de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, e ficou conhecido por seu poder sobre a favela da Rocinha, na zona sul do Rio, durante os anos 2000.
A série da Netflix, segundo fontes próximas à produção, pretendia mostrar a trajetória e as contradições do tráfico carioca, mesclando depoimentos de ex-milicianos, policiais e moradores das comunidades. Com a decisão do STF, o projeto agora deve ser reestruturado sem a participação de Nem.