
“Saídão de Dia das Crianças” libera mais de 1,5 mil presos no DF — e sem fiscalização
Beneficiados têm até segunda-feira (13/10) para retornar às unidades prisionais. Falta de adesão dos policiais penais ao serviço voluntário deixa o controle das saídas comprometido.
A manhã desta quinta-feira (9/10) marcou o início do sétimo saidão do ano no Distrito Federal, em homenagem ao Dia das Crianças. Ao todo, 1.582 presos — entre eles, 58 mulheres — deixaram temporariamente os presídios da capital.
As saídas começaram por volta das 7h da manhã, e os detentos têm até as 10h de segunda-feira (13/10) para retornar. Quem não voltar dentro do prazo será considerado foragido e poderá perder o direito ao regime semiaberto, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF).
Para quem quiser ajudar de forma anônima, denúncias sobre presos que não retornarem ou que descumprirem as regras podem ser feitas pelo WhatsApp da Polícia Penal do DF, no número (61) 9 9666-6000.
🚫 Sem fiscalização
Diferente de outras ocasiões, este saidão acontece sem monitoramento dos presos beneficiados. O motivo é a falta de adesão dos policiais penais ao Serviço Voluntário Gratificado (SVG), que garante o reforço no controle das saídas temporárias.
Em documento enviado à Vara de Execuções Penais (VEP), o secretário de Administração Penitenciária, Wenderson Souza e Teles, afirmou que a ausência dos voluntários comprometeu o funcionamento regular das atividades nas unidades prisionais.
Segundo Teles, o SVG é essencial para manter a segurança, proteger servidores e internos, e garantir que os direitos dos detentos sejam respeitados. Com a paralisação, parte dos agentes da Diretoria de Fiscalização precisou ser deslocada para escoltas hospitalares, deixando o monitoramento dos presos temporariamente prejudicado.
⚖️ Reivindicações e impasse
Os policiais penais reivindicam o cumprimento do acordo de redução do interstício e a equiparação salarial com outras forças de segurança. O governo federal propôs reajustes de até 24,43% para militares e 27,27% para policiais civis, mas a categoria segue insatisfeita.
Enquanto o impasse persiste, o feriado prolongado será um teste de confiança para o sistema prisional do DF — e uma preocupação extra para quem teme que a liberdade temporária vire permanente para alguns detentos.