💸 CGU descobre que Contag tentou descontar benefícios até de aposentados já falecidos

💸 CGU descobre que Contag tentou descontar benefícios até de aposentados já falecidos

Auditoria cruzou dados da entidade com informações da Dataprev e encontrou pedidos de desconto em nome de 22 pessoas mortas há meses. A Contag alega que as autorizações foram dadas quando os beneficiários ainda estavam vivos.

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou uma situação, no mínimo, absurda: a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) tentou aplicar descontos indevidos em benefícios de pelo menos 22 pessoas já falecidas.

A auditoria cruzou informações da entidade com a base da Dataprev, responsável pelos dados da Previdência Social, e constatou que havia pedidos de desconto em nome de aposentados mortos há mais de três meses.

Segundo a CGU, esses pedidos se repetiam de forma sistemática, levantando suspeitas sobre a forma como a confederação administrava as autorizações de desconto em folha — especialmente no contexto da chamada “Farra do INSS”, que vem expondo uma teia de irregularidades em entidades ligadas a servidores e beneficiários do sistema.

🧾 A explicação da Contag

Em resposta ao relatório, a Contag afirmou que não houve má-fé, mas sim atraso no processamento dos pedidos. De acordo com a entidade, as autorizações para desconto teriam sido concedidas quando os beneficiários ainda estavam vivos, mas o repasse acabou sendo executado tardiamente.

Mesmo assim, a justificativa não convence totalmente os auditores da CGU, que consideram o episódio um indício grave de falhas administrativas e possível fraude.

⚖️ O que está em jogo

A investigação se soma a outras que vêm sendo conduzidas no Congresso e na Justiça, envolvendo entidades de fachada, desvios de recursos e movimentações suspeitas em benefícios previdenciários. O caso da Contag reforça o alerta sobre a vulnerabilidade do sistema, que deveria proteger aposentados e pensionistas, mas acaba virando alvo de esquemas e manobras burocráticas.

Mais do que um erro técnico, o episódio escancara o abandono da fiscalização sobre o dinheiro público e o desrespeito à memória de quem já se foi — aposentados que trabalharam uma vida inteira e, mesmo depois da morte, continuaram servindo de fonte de lucro para quem lucra com o descaso.

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