
Secretário de Trump trata Brasil como “problema” e diz que país precisa ser “consertado”
Howard Lutnick afirmou que o Brasil deve parar de adotar medidas que “prejudiquem” os EUA, reforçando a postura arrogante de Washington diante da crise do tarifaço.
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, decidiu vestir a fantasia de tutor mundial e declarou, em entrevista à NewsNation, que é preciso “consertar” o Brasil. Segundo ele, o país estaria entre os que precisam “reagir corretamente” aos EUA, abrindo mercados e deixando de tomar medidas que, na visão americana, atrapalham os interesses de Washington.
“Temos um monte de países para consertar, como Suíça, Brasil e Índia. Eles precisam parar de adotar ações que prejudiquem os Estados Unidos”, afirmou, em tom que soa mais como bronca de patrão do que fala diplomática.
As declarações chegam num momento em que a relação entre os dois países está estremecida. Desde agosto, produtos brasileiros já sofrem sobretaxa de 50% para entrar no mercado americano. Agora, a nova rodada de tarifas anunciada por Donald Trump — que pode chegar a 100% em alguns setores — vai atingir medicamentos, caminhões, móveis e utensílios de cozinha, impactando também países como Suíça, Índia, Reino Unido, México, Japão e Alemanha.
Trump, por sua vez, segue no mesmo tom de ultimato. Reforçou que está disposto a conversar com Lula, mas não perdeu a oportunidade de criticar o Brasil, mencionando “censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos políticos”.
Em outras palavras: o discurso de “parceria” cedeu espaço a uma política de imposição e chantagem. Ao colocar o Brasil na lista de países que precisam ser “corrigidos”, Lutnick expôs o que de fato move a estratégia americana: interesses econômicos embalados em arrogância imperial.