Sem a China, fundo florestal do Brasil perde fôlego na COP30

Sem a China, fundo florestal do Brasil perde fôlego na COP30

Decisão de Pequim de ficar fora do TFFF trava expansão do fundo e frustra expectativa brasileira de atrair grandes investidores soberanos.

A grande aposta diplomática do Brasil na COP30 sofreu um baque. A China, que muitos no governo esperavam ver como uma das principais financiadoras do Tropical Forest Forever Facility (TFFF), decidiu não participar do fundo global criado para proteger florestas tropicais. A informação foi confirmada por três fontes diretamente envolvidas nas negociações.

Mesmo com US$ 5,5 bilhões já prometidos por Noruega, França e Indonésia — e o anúncio da Alemanha de que pretende fazer uma “contribuição substancial” —, o fundo ainda está longe da ambiciosa meta inicial. A proposta original falava em levantar US$ 25 bilhões em capital semente, capazes de gerar até US$ 125 bilhões no longo prazo. Hoje, o Brasil torce para atingir US$ 10 bilhões até o ano que vem.

Por que a China ficou de fora

De acordo com duas fontes, as autoridades chinesas entendem que a maior responsabilidade de financiar a proteção ambiental global deve recair sobre os países desenvolvidos — não sobre emergentes como China, Brasil e Indonésia, justamente os primeiros apoiadores da ideia.

Nem a delegação chinesa presente na COP30 nem os ministérios de Pequim responderam aos pedidos de comentário. Do lado brasileiro, o Ministério da Fazenda também se manteve em silêncio.

Como funciona o TFFF

A lógica do fundo é simples: remunerar países que mantêm suas florestas em pé. O mecanismo prevê investimentos do capital aportado em ativos de alto retorno; parte dos rendimentos vai para os investidores, e outra parte vira pagamentos anuais de cerca de US$ 4 por hectare preservado.

O objetivo é transformar conservação ambiental em receita previsível — algo que muitos governos florestais têm dificuldade de garantir.

Fôlego curto e negociações travadas

A expectativa, porém, é de que nenhum novo grande aporte seja anunciado durante a COP30. Conversas com a Índia emperraram, enquanto Japão e Reino Unido demonstram interesse, mas nada além disso. Holanda e Canadá ficaram para o próximo ano.

E até agora, nenhum banco multilateral decidiu entrar no fundo — um sinal que preocupa Brasília.

O Banco Europeu de Investimento (BEI), porém, abriu uma pequena porta: disse estar conversando com a Comissão Europeia sobre um eventual apoio e, paralelamente, anunciou € 50 milhões para um fundo de reflorestamento administrado pela gestora Ardian.

Pressão internacional cresce

Treze ONGs alemãs enviaram uma carta ao chanceler Friedrich Merz pedindo que Berlim confirme um aporte de US$ 2,5 bilhões. A Noruega, maior financiadora até o momento (US$ 3 bilhões ao longo de dez anos), condiciona a liberação dos recursos à entrada de outros países com contribuições significativas.

O setor privado também começa a se movimentar: a Fundação Minderoo, do bilionário australiano Andrew Forrest, anunciou US$ 10 milhões. Ele diz que o modelo tem méritos, porque “gera retorno financeiro e ainda ajuda a salvar as florestas tropicais”.

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