
Pai preso em plena CPMI: sessão vira choque para depoente e abre nova fase da investigação
Relator anuncia prisão de ex-diretor do INSS durante oitiva do próprio filho, que permanece em silêncio e acende ainda mais as suspeitas sobre o esquema bilionário contra aposentados.
A sessão da CPMI do INSS desta quinta-feira virou uma cena de tensão digna de filme policial. Enquanto prestava depoimento, o advogado Eric Douglas Martins Fidelis soube, ali, diante das câmeras e dos parlamentares, que seu pai — o ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis — havia sido preso pela Polícia Federal nas primeiras horas do dia.
O aviso partiu do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que não economizou nas palavras. Gaspar relatou que André enviou à CPMI um atestado médico alegando internação para justificar a ausência na oitiva, mas acabou sendo detido pela PF por seu envolvimento no esquema que teria fraudado aposentadorias e pensões em todo o país.
“Se tivesse vindo prestar esclarecimentos, talvez não estivesse preso. Mas hoje ele foi preso. E isso, senhor Eric Fidelis, significa que a jornada de cadeia vai ser longa”, afirmou o deputado.
Pressão política e silêncio calculado
Mesmo após o impacto da notícia, Eric manteve a estratégia de silêncio, amparado por um habeas corpus e seguindo orientação da defesa. O relator insistiu, dizendo que “não é justo um pai ser preso pelas ações do filho” e apelou para que o advogado contribuísse com as investigações — o que não aconteceu.
A frieza de Eric alimentou ainda mais as suspeitas. Os dados levantados pelos parlamentares mostram que seu escritório manteve relações diretas com entidades ligadas ao INSS e recebeu cerca de R$ 5,1 milhões de intermediários do esquema. Entre 2023 e 2024, o advogado movimentou mais de R$ 10,4 milhões, um valor considerado completamente incompatível com a rotina de um escritório comum.
Prisões e o “coração da quadrilha”
A operação da PF não mirou apenas André Fidelis. Outras oito pessoas foram presas — entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto. Para o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a atuação policial alcançou o “núcleo principal dos desvios” que drenaram recursos da Previdência.
“A quadrilha que tomou de assalto as aposentadorias brasileiras está sendo desmontada. Quem veio à CPMI protegido por habeas corpus agora vai ter que falar preso”, disse Viana.
O senador rebateu críticas de que a CPMI seria apenas “teatro”, afirmando que nenhuma comissão legislativa teve tantos resultados concretos em tão pouco tempo.
O mapa do esquema e os próximos alvos
De acordo com Viana, a estrutura da fraude tinha três camadas:
- Operadores e laranjas — responsáveis por movimentar o dinheiro;
- Servidores corrompidos — que mantinham o sistema funcionando em diferentes gestões;
- O primeiro escalão político — responsável por proteger e indicar nomes dentro do INSS.
Essa camada política será o foco da próxima fase da investigação. O senador confirmou que há parlamentares citados nas apurações e que poderão ser convocados, embora seus nomes permaneçam sob sigilo judicial.
Dinheiro desviado e paraísos fiscais
Viana ainda revelou que o STF e a PF rastreiam recursos desviados que teriam sido enviados ao exterior, enquanto outra parte permanece oculta em território brasileiro.
Gaspar celebrou o avanço das prisões e afirmou que a PF está apenas começando:
“Muitos chegaram à CPMI posando de honestos e agora estão atrás das grades. A impunidade está acabando.”
Segundo o relator, bloqueio de bens, rastreamento financeiro e responsabilização criminal serão intensificados.