Senado dos EUA barra tentativa de frear Trump e deixa caminho aberto para ataque à Venezuela

Senado dos EUA barra tentativa de frear Trump e deixa caminho aberto para ataque à Venezuela

Mesmo sem base legal clara, maioria republicana impede resolução que exigiria aval do Congresso para ações militares. Especialistas alertam: a aventura bélica pode ser desastrosa.

O Senado dos Estados Unidos rejeitou, nesta quinta-feira (6), uma proposta que buscava limitar os poderes de Donald Trump e impedir que ele lançasse ataques contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A votação terminou em 49 a 51, com a maioria republicana garantindo mais uma vez o cheque em branco ao ex-presidente.

A decisão veio em meio a uma escalada de tensões no Caribe, onde forças americanas já realizaram ataques contra barcos venezuelanos. O detalhe que causa desconforto até entre aliados é que o governo não apresentou nenhuma justificativa legal sólida para as ações — algo que senadores afirmam ser um precedente perigoso.

A proposta, apresentada pelos democratas Tim Kaine e Adam Schiff e pelo republicano Rand Paul, buscava reafirmar um princípio básico da Constituição americana: só o Congresso pode autorizar uma guerra. Mas, na prática, a Casa Alta decidiu mais uma vez fechar os olhos para os impulsos de Trump, um político conhecido por agir com improviso e contradição.

Na semana passada, Trump negou planos de invadir a Venezuela, embora tenha admitido ter autorizado operações secretas da CIA no país. Essa mistura de negação e bravata é o que mais preocupa analistas e membros do próprio Partido Republicano.

“O presidente muda de ideia com a mesma velocidade com que envia um tweet”, ironizou o democrata Adam Smith, membro do Comitê de Serviços Armados da Câmara.

Enquanto isso, o Pentágono mantém uma presença militar pesada no Caribe, com navios, caças e milhares de soldados prontos para agir — oficialmente, sob o pretexto de “combater o narcotráfico”.

O senador Mark Warner, do Comitê de Inteligência, foi direto:

“Nada no parecer jurídico sequer menciona a Venezuela. Não há base legal para ataques diretos ao país.”

Juristas alertam que a postura do governo pode violar o direito internacional e abrir espaço para novos atos unilaterais e ilegais. Até parlamentares republicanos reconheceram que há falta de transparência: ninguém sabe quem morreu, quanto custa a operação ou qual é a real estratégia de Washington para a América Latina.

No fundo, o episódio revela algo mais profundo — a velha arrogância imperial disfarçada de política externa. Enquanto o mundo se preocupa com diplomacia e paz, Trump e seus aliados parecem flertar com mais uma guerra, sem causa, sem plano e sem consciência.

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