Senado tranca por 100 anos registros de visitas do “Careca do INSS”

Senado tranca por 100 anos registros de visitas do “Careca do INSS”

Enquanto a CGU defende transparência, Senado alega “proteção de dados” para manter no cofre informações que poderiam expor encontros nada republicanos.

O Senado Federal decidiu colocar um cadeado centenário nos registros de entrada de Antonio Carlos Camilo Antunes — mais conhecido como “Careca do INSS” — em suas dependências. Isso significa que, se depender da Casa, ninguém verá esses dados antes de 2125. Já a Câmara dos Deputados disse não ter registro de visitas do lobista desde o início de 2019, segundo informações do portal Metrópoles.

A justificativa oficial do Senado cita o Decreto nº 7.724/2012 e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garantem sigilo a informações capazes de identificar pessoas físicas. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), preferiu não comentar o assunto.

A decisão bate de frente com o entendimento da Controladoria-Geral da União (CGU), que sustenta que a lista de visitantes de órgãos públicos deve ser pública. Para o órgão, essa transparência permite cruzar dados de entrada e saída com as agendas oficiais, ajudando a revelar conflitos de interesse e encontros fora das regras.

Um exemplo disso aconteceu em 13 de março de 2023, quando o “Careca do INSS” participou de uma reunião no gabinete do então chefe da Secretaria do Regime Geral de Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal — hoje secretário-executivo do Ministério da Previdência. O encontro, que não apareceu na agenda oficial, teria sido marcado a pedido de uma assessora, já que o lobista acompanhava um representante de correspondente bancário.

O apelido de Antonio Carlos está ligado ao escândalo batizado de “Farra do INSS” — um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, investigado pela Polícia Federal e pela própria CGU. O caso já derrubou o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT-RJ).

Segundo a Operação Sem Desconto, mais de R$ 50 milhões passaram pelas mãos do lobista, e o prejuízo aos beneficiários chega a R$ 6,3 bilhões. Nas buscas, a Polícia Federal apreendeu cinco carros de luxo avaliados em R$ 3,29 milhões, entre eles um Porsche e dois BMWs.

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