Será que Macron conhece a Bahia real?

Será que Macron conhece a Bahia real?

Entre tambores, aplausos e jantares de gala, o presidente francês desfilou por Salvador — mas será que viu o outro lado da cidade, onde a violência e o desemprego ditam o ritmo da vida?

O presidente da França, Emmanuel Macron, teve uma passagem movimentada por Salvador (BA) nesta quarta-feira (5/11), antes de seguir para Belém (PA), onde participa da COP-30. A visita foi marcada por música, política e simbolismo — mas também deixou no ar uma pergunta inevitável: será que Macron sabe o que realmente enfrenta o povo baiano?

Enquanto o francês tocava tambor com o Olodum no Pelourinho e era celebrado por autoridades, a realidade do outro lado da cidade seguia bem diferente — marcada pela violência crescente, o desemprego e uma população que sobrevive, em grande parte, dependendo de benefícios sociais.

Ainda assim, a agenda foi digna de um roteiro diplomático de cinema. Macron uniu PT e oposição em um mesmo evento, visitou igrejas históricas, percorreu o Centro Histórico e participou de um jantar de gala no Palácio do Rio Branco, com direito a pratos assinados pela chef Angeluci Figueiredo, como ceviche de caju e robalo confitado no azeite.

No jantar, estavam lado a lado Jerônimo Rodrigues (PT) e Bruno Reis (União Brasil) — rivais políticos que raramente dividem o mesmo espaço. Macron, discreto, pouco discursou; preferiu ouvir e observar. A noite também teve apresentações da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da cantora Daniela Mercury, que embalaram os convidados com “Faraó” e “É d’Oxum”.

Entre uma homenagem e outra, o francês recebeu presentes típicos baianos, como uma bolsa de crochê destinada à primeira-dama Brigitte Macron. Hospedado no luxuoso Fera Palace Hotel, com diárias que ultrapassam R$ 2 mil, o presidente francês viveu uma Salvador que poucos baianos conhecem.

Mas o contraste não passou despercebido. Enquanto Macron se encantava com o som dos tambores e a hospitalidade local, milhares de famílias seguem tentando sobreviver em meio à desigualdade, à falta de emprego e à violência que castiga os bairros periféricos.

A visita, embora simbólica, deixou um sabor agridoce: entre o brilho dos eventos oficiais e o calor popular, paira a dúvida — quantas “Salvadores” Macron realmente viu?

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