Governo Lula pede calma a ministros para não alimentar narrativa de perseguição de Bolsonaro

Governo Lula pede calma a ministros para não alimentar narrativa de perseguição de Bolsonaro

Planalto reforça orientação para evitar declarações públicas sobre uso de tornozeleira eletrônica, buscando frear discurso de vitimização do ex-presidente

O Palácio do Planalto decidiu apostar na cautela após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou o uso da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ordem interna é clara: ministros devem evitar comentários que possam fortalecer a narrativa bolsonarista de que há uma perseguição política em curso.

Quem tem assumido o papel de guardião dessa linha é a ministra Gleisi Hoffmann, responsável pelas Relações Institucionais, e o secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira. Sidônio, que teve uma conversa direta com Lula na manhã desta sexta-feira (18), tem reforçado que o assunto nem deve ser discutido publicamente, nem entre os próprios membros do governo.

Um exemplo da mudança de tom foi o recuo da ministra Gleisi, que mandou retirar das redes sociais uma postagem irônica da sua equipe sobre a ação da Polícia Federal. O post dizia: “Bom dia, PF! Sextou com busca e apreensão na casa do golpista. Grande dia!”. Gleisi afirmou que não sabia da publicação e deixou claro que o governo prefere manter uma postura sóbria. “É uma questão judicial, conduzida com respeito ao processo legal”, comentou.

Apesar dessa recomendação, nem todos os ministros têm seguido a cartilha. Paulo Teixeira, da pasta do Desenvolvimento Agrário, usou as redes sociais para fazer piada com a situação: “O bananinha @BolsonaroSP que se cuide, porque ao voltar pode ter uma tornozeleira eletrônica esperando por ele.” Ele ainda listou o que considera sinais de um plano de fuga, como a estadia do ex-presidente na embaixada da Hungria e movimentações de aliados no STF e nos Estados Unidos.

Outro que se manifestou foi Luiz Marinho, também no Twitter: “TOC, TOC, TOC! Agora ficou mais difícil fugir. O STF determinou que o ex-presidente golpista use tornozeleira eletrônica… Como não é uma joia das ‘Arábias’, não pode ser desviada nem vendida.”

Nas redes sociais, militantes e parlamentares do PT comemoraram a ação da Polícia Federal, mas dentro do próprio partido há um consenso pela prudência. “Bolsonaro é um problema do Ministério Público e da Justiça”, declarou Edinho Silva, presidente eleito do PT. A estratégia do governo é focar o debate público em temas que considera mais relevantes, como justiça tributária e soberania nacional, assuntos que têm ajudado a melhorar a imagem do governo junto à população.

A decisão do STF foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, dentro de um processo sigiloso que começou no dia 11 de julho — pouco depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que aliados de Bolsonaro tentam usar para contestar sua condenação. Para Moraes, os discursos de Bolsonaro e as ações de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA representam uma ameaça à soberania do país.

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