
Sóstenes pede desculpas a Motta após ocupação na Câmara e clama por reconciliação
Deputado reconhece erros no trato pessoal com o presidente da Casa e ressalta necessidade de união para dar exemplo ao país.
Após a polêmica ocupação do plenário da Câmara, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), fez um gesto de conciliação e pediu desculpas públicas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em discurso na quinta-feira (7/8), Sóstenes admitiu que não agiu bem nos bastidores e garantiu que Motta não foi pressionado ou chantageado pela oposição durante os acontecimentos.
“O presidente Hugo Motta não foi chantageado por nós. Ele não assumiu nenhum compromisso de pauta conosco. Reconheço que não fui correto no trato privado, por isso venho aqui em público pedir perdão. Muitos de nós, no calor da emoção, não estávamos preparados emocionalmente para aquilo. Precisamos urgentemente de reconciliação nesta Casa, de convivência respeitosa para mostrarmos um exemplo para o Brasil”, declarou o deputado.
Sóstenes também defendeu a ocupação e obstrução das votações, afirmando que a mobilização foi “muito maior do que a prisão de um homem inocente como Bolsonaro”. Ele aproveitou para criticar o ministro do STF Alexandre de Moraes, dizendo que um ou dois ministros “desconsiderarem todo o Congresso Nacional” representa uma desmoralização para o Parlamento.
Em resposta, Hugo Motta classificou a noite da ocupação como “um grande desafio” e desejou que “a democracia prevaleça nas votações que estão por vir”.
A ocupação do plenário foi anunciada na terça-feira (5/8), logo após a prisão domiciliar decretada para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Deputados e senadores disseram que iriam bloquear as votações até que fossem aprovadas propostas apelidadas por eles de “pacote da paz”. Entre os pedidos estão anistia ampla para acusados nos ataques antidemocráticos de janeiro de 2023, impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a extinção do foro privilegiado.
As atividades no plenário foram retomadas na quinta-feira (7/8), após dias de tensão e protestos.