STF forma maioria para aceitar denúncia contra homem que atacou Moraes

STF forma maioria para aceitar denúncia contra homem que atacou Moraes

Glaudiston Cabral pode se tornar réu por ofensas e incitação ao crime contra ministros do Supremo Tribunal Federal

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já tem maioria para aceitar a denúncia contra Glaudiston da Silva Cabral, acusado de ofender repetidamente ministros da Corte, incluindo Alexandre de Moraes, a quem chamou de “sacrificador de crianças” e “satanista”. O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e falta apenas o voto do ministro Luiz Fux para finalizar a decisão. Os demais ministros – Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino – seguiram o relator, Moraes, em favor do recebimento da denúncia.

Caso a decisão se confirme, Glaudiston passará a responder a uma ação penal no STF por associação criminosa e incitação ao crime. Segundo Moraes, o acusado incentivou ações das Forças Armadas contra os poderes constituídos e chegou a incitar golpe de Estado. O ministro ressaltou que “não há Estado Democrático de Direito sem a existência de Poderes independentes e harmônicos entre si” e classificou a conduta como gravíssima.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que, entre julho de 2020 e maio de 2024, Glaudiston, por meio de redes sociais e mensagens eletrônicas, se associou a centenas de pessoas com o objetivo de minar a legitimidade do sistema eleitoral e atacar o Estado Democrático de Direito.

Entre os episódios citados, destaca-se um vídeo de julho de 2020, em que o acusado acusou Moraes de praticar rituais de magia negra com sacrifício de crianças e proferiu ameaças contra outras autoridades. Em outubro de 2023, ele apresentou petições em processos no Mato Grosso do Sul com ofensas aos ministros Moraes e Luís Roberto Barroso, chamando-os de “genocidas” e “pedófilos” e classificando Moraes como “especialista em totalitarismo”.

A Defensoria Pública da União (DPU) defende que o caso não deveria tramitar no STF, argumentando que Moraes deveria se declarar impedido por ser vítima das supostas ofensas. A defesa questiona ainda a ligação entre as ações de Glaudiston e os atos de 8 de janeiro de 2023, considerando que muitos episódios ocorreram posteriormente, o que, segundo eles, configuraria “crime impossível”.

O caso segue agora aguardando o voto final de Luiz Fux para definir se Glaudiston Cabral será oficialmente réu no Supremo.

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