
STF mira Eduardo Bolsonaro e convoca Jair para depor
Moraes abre inquérito sobre atuação do deputado nos EUA e quer explicações do pai, que banca sua estadia no exterior
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e abriu um inquérito contra o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O motivo? A atuação do filho 03 de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos em uma campanha contra autoridades brasileiras.
Mas a decisão não parou por aí. Moraes também quer ouvir o próprio Jair Bolsonaro. Como o ex-presidente admitiu publicamente que sustenta Eduardo no exterior, ele agora terá que prestar depoimento e esclarecer se está, de alguma forma, envolvido nas ações do filho.
No caso de Eduardo, Moraes autorizou que ele se manifeste por escrito. Já Jair Bolsonaro terá que comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos.
🔍 O que pesa contra Eduardo
A decisão de Moraes se baseia em uma representação da PGR, que reúne uma série de postagens, vídeos e entrevistas nas quais Eduardo Bolsonaro aparece pedindo sanções contra autoridades brasileiras — incluindo ministros do STF, membros da Procuradoria e da Polícia Federal.
Segundo o documento, as ações de Eduardo teriam como objetivo intimidar e pressionar os responsáveis por processos que miram tanto ele quanto seu pai.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que há um claro tom de retaliação, com ameaças não só contra autoridades, mas também contra seus familiares.
🌎 Pressão internacional entra em cena
O caso ganhou ainda mais repercussão internacional depois que o senador americano Marco Rubio comentou, na semana passada, sobre possíveis sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. Durante uma audiência no Congresso dos EUA, Rubio afirmou que existe uma “grande possibilidade” de punições contra o magistrado brasileiro, usando como base a chamada Lei Global Magnitsky.
Se aplicada, essa lei permite sanções pesadas contra autoridades estrangeiras acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos, como:
- Congelamento de bens e contas bancárias nos EUA;
- Bloqueio de cartões de crédito e ativos em dólar, mesmo fora do território americano;
- Cancelamento de visto e proibição de entrada nos Estados Unidos;
- Impedimento de qualquer transação comercial com empresas ou cidadãos americanos;
- Bloqueio de redes sociais e serviços ligados a empresas como Google, YouTube, Gmail e Google Drive.
🚨 STF liga sinal de alerta
O inquérito contra Eduardo foi vinculado aos processos das fake news e da tentativa de golpe de Estado, ambos sob relatoria de Alexandre de Moraes. A avaliação é que Eduardo, ao buscar sanções contra ministros do Supremo e outras autoridades, tenta interferir diretamente no andamento dos processos que miram o próprio pai, acusado de liderar uma organização criminosa para tentar sabotar o resultado das eleições de 2022.
Moraes já havia levantado o sigilo do pedido da PGR antes mesmo de decidir abrir formalmente a investigação. Agora, tanto pai quanto filho vão precisar se explicar.