
Tarcísio visita Bolsonaro em meio a pressões do centrão e incertezas para 2026
Governador de São Paulo reforça pré-candidatura à reeleição e busca alinhamento político enquanto enfrenta fogo-amigo dentro da direita
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vai se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar, na próxima segunda-feira (29), em Brasília, em um momento de grande impasse sobre seu futuro político.
Apontado como possível herdeiro do legado político de Bolsonaro, Tarcísio enfrenta resistências dentro do próprio clã do ex-presidente, enquanto busca consolidar sua pré-candidatura à reeleição para o Palácio Bandeirantes. Paralelamente, o centrão vê o governador como a melhor opção para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
O encontro já havia sido programado para 15 de setembro, mas foi cancelado após o STF não liberar a visita a tempo. Na ocasião, Tarcísio tentava articular apoio parlamentar à pauta da anistia para Bolsonaro. Desde então, ele vem dialogando com líderes do centrão e do Republicanos para encontrar soluções que reduzam a pena de 27 anos e 3 meses imposta ao ex-presidente.
A aprovação de uma eventual dosimetria da pena é vista como alternativa mais segura por parte da direita para manter Bolsonaro em regime domiciliar. Contudo, o núcleo mais próximo do ex-presidente ainda busca reviver o projeto original da anistia.
Nos bastidores, o governador se vê pressionado por decisões sobre a sucessão eleitoral de Bolsonaro. O ex-presidente ainda não indicou oficialmente apoio a Tarcísio, evitando comprometer seu capital político enquanto tenta reverter sua situação jurídica. Ao mesmo tempo, disputas internas se intensificam: Eduardo Bolsonaro sinaliza candidatura própria, e há negociações sobre a composição da chapa, com nomes como Michelle Bolsonaro e Ciro Nogueira disputando a posição de vice.
Além disso, uma possível mudança de partido de Tarcísio está em análise, já que Valdemar Costa Neto, do PL, prefere manter o candidato na legenda, enquanto o Republicanos tem sinalizado liberdade para Tarcísio disputar a presidência pelo partido.
Entre os desafios, o governador busca não se expor prematuramente à campanha, evitando viagens fora de São Paulo e mantendo perfil discreto para não alimentar ataques internos e externos. O fogo-amigo vindo principalmente dos irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro contribui para tornar o cenário ainda mais delicado.
O contexto político reflete o equilíbrio tênue entre o fortalecimento da pré-candidatura de Tarcísio e a necessidade de manter boas relações com diferentes grupos dentro da direita, enquanto se aproxima o início do ano eleitoral de 2026.