
Toffoli “abre a porta” para empurrar caso Banco Master para a 1ª instância
Ministro admite pela primeira vez que processo pode sair do STF — enquanto escândalo cresce e pressões aumentam
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu pela primeira vez que o processo envolvendo o Banco Master pode acabar sendo enviado para a primeira instância da Justiça Federal.
Segundo o gabinete do ministro, a ideia seria analisar essa possibilidade após o encerramento das investigações. Em outras palavras: primeiro o caso ferve no STF, depois pode ser “despachado” para as instâncias inferiores, como se isso fosse só um detalhe técnico.
A movimentação acontece depois de uma orientação interna de outros ministros, numa tentativa clara de diminuir a pressão e as críticas em cima da Corte — porque o desgaste já está batendo na porta e o assunto virou uma bomba política e institucional.
BC abre investigação interna e afasta servidores
Enquanto o STF tenta reorganizar o tabuleiro, o Banco Central também se mexeu: abriu uma investigação interna para apurar a condução do processo que levou à liquidação do Banco Master.
Dois nomes foram atingidos diretamente:
- Paulo Souza, ex-diretor de fiscalização, foi afastado
- Belline Santana também saiu, após pedir desligamento
O procedimento corre em sigilo, dentro da corregedoria, e pretende revisar medidas adotadas desde 2019, período em que Roberto Campos Neto presidia o Banco Central.
Ou seja: não é só um problema recente — é um rastro que vem de anos, e agora está sendo puxado como quem encontra sujeira debaixo do tapete.
Haddad joga pesado e fala em crime, não em má gestão
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, subiu o tom e deixou claro que o que está em jogo não é simples erro administrativo.
Segundo ele, o Banco Central só passou a conversar com o Ministério da Fazenda depois da posse de Gabriel Galípolo, atual presidente do BC. Haddad descreveu o cenário como um caos herdado:
Galípolo teria percebido “o tamanho do abacaxi” e que a situação era grave, envolvendo Ministério Público e PF por suspeitas de fraudes.
E Haddad foi direto, sem maquiagem:
não seria má gestão — seria crime.
Renúncias no BRB e suspeita de influenciadores contra o BC
O caso também respingou no BRB, que enfrenta turbulência interna. Dois integrantes do alto escalão renunciaram:
- Marcelo Talarico, presidente do Conselho de Administração
- Luis Fernando de Lara Resende, conselheiro
Como se não bastasse, a investigação no STF ainda inclui uma suspeita explosiva: a possível contratação de influenciadores para atacar o Banco Central, num jogo sujo de narrativa e pressão pública.
Vorcaro e presidente do INSS convocados para depor
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o presidente do INSS, Gilberto Waller, foram convocados para depor na CPMI do INSS, na próxima quinta-feira.
E não é convite educado, não: a comissão já aprovou quebra de sigilos, o que mostra que o cerco está fechando.
No fim das contas, Toffoli tenta aliviar o peso — mas o escândalo só aumenta
O que chama atenção é que, diante de um caso tão grande, com sinais de irregularidades, afastamentos, renúncias e suspeitas pesadas, Toffoli já começa a falar em mandar tudo para a primeira instância.
Fica a sensação de sempre: quando a crise aperta e o barulho aumenta, o STF tenta “redistribuir” o problema… como quem empurra um incêndio para o quintal do vizinho e finge que não é mais com ele.