
Toffoli se emociona no STF — lágrimas de emoção ou de arrependimento?
Em sessão solene, ministro chora ao ser homenageado pelos 16 anos de posse, mas o país se pergunta: será que as lágrimas são por tudo o que ele “anulou” junto com as condenações da Lava Jato?
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), não conteve as lágrimas durante uma homenagem feita por seus colegas nesta quinta-feira (23). O motivo oficial? A celebração dos 16 anos desde que ele assumiu a cadeira na Corte. Mas, para quem acompanhou os últimos capítulos da Justiça brasileira, a cena teve outro sabor — o da ironia.
Enquanto Edson Fachin exaltava “a contribuição de Toffoli para a democracia”, muita gente se perguntou se o choro era de emoção ou de arrependimento. Afinal, foi sob sua caneta que condenações históricas da Operação Lava Jato — o maior esquema de corrupção já descoberto no país — foram sendo derrubadas uma a uma, reescrevendo o destino de políticos que já haviam sido julgados e condenados.
Com a voz embargada, Toffoli agradeceu:
“Aprendi na vida que não podemos deixar a emoção envelhecer.”
Talvez não possa mesmo, mas o país envelheceu vendo a impunidade se renovar a cada decisão que apagava anos de investigações.
No fim da fala, o ministro ainda exaltou o “peso da cadeira” que ocupa — e nisso, ele tem razão. É uma cadeira que já suportou as maiores manobras jurídicas do século, transformando crimes em nulidades e culpados em inocentes de toga lavada.
E enquanto Toffoli chorava, o Brasil seguia tentando entender: será emoção pelo cargo ou culpa pelos que voltaram a rir da Justiça?