Lula tenta se explicar após fala polêmica sobre traficantes — mas será que “frase mal colocada” conserta o estrago?

Lula tenta se explicar após fala polêmica sobre traficantes — mas será que “frase mal colocada” conserta o estrago?

Depois de afirmar que “traficantes também são vítimas dos usuários”, o presidente recua e diz que foi mal interpretado. A oposição, no entanto, não perdoa o tropeço verbal.

Durante uma entrevista na Indonésia, Lula (PT) soltou uma frase que caiu como uma bomba política: “Os traficantes também são vítimas dos usuários.” O comentário, feito em meio a uma discussão sobre o combate ao narcotráfico e a política dos Estados Unidos de militarizar o Caribe, provocou reação imediata no Brasil.

Horas depois — e talvez sentindo o peso da repercussão —, o presidente usou o X (antigo Twitter) para tentar apagar o incêndio:

“Fiz uma frase mal colocada nesta quinta e quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado.”

Segundo ele, o que vale são as ações de seu governo, como as “grandes operações contra o crime” e o envio da PEC da Segurança Pública ao Congresso. Mas, na prática, o tom do discurso anterior ainda ecoava: a tentativa de humanizar quem lucra com o sofrimento alheio soou, no mínimo, desastrosa.

Durante a entrevista, Lula criticava os Estados Unidos por atacarem embarcações próximas à costa da Venezuela, alegando combater o narcotráfico. E, ao tentar discutir a “raiz social” do problema, acabou transformando traficantes em vítimas e usuários em algozes, uma inversão que indignou até antigos aliados.

“Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, disse o presidente, numa tentativa de explicar que o consumo gera o comércio. A frase, no entanto, foi lida por muitos como uma justificativa moral para criminosos que aterrorizam comunidades e controlam o tráfico de drogas com violência.

Agora, resta saber se a explicação tardia será suficiente para conter o dano. Porque, por mais que Lula diga que foi “mal interpretado”, as palavras não voltam — e, no campo da política, cada uma tem o peso de uma sentença.

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