Trump abre brecha para diálogo com Maduro enquanto amplia pressão militar no Caribe

Trump abre brecha para diálogo com Maduro enquanto amplia pressão militar no Caribe

Mesmo com o maior porta-aviões do mundo posicionado perto da Venezuela, o presidente americano diz que pode conversar com o líder chavista, em meio a uma operação militar sem precedentes na região

Em meio ao maior movimento militar dos Estados Unidos no Caribe em décadas, Donald Trump surpreendeu ao dizer, no domingo (16), que pode “ter algumas conversas” com Nicolás Maduro. A declaração veio justamente quando o USS Gerald R. Ford — o maior porta-aviões do planeta — chegou às águas próximas à Venezuela para reforçar a já intensa presença militar americana na região.

Trump não deu detalhes sobre o que significaria esse possível diálogo, limitando-se a afirmar que “a Venezuela gostaria de conversar”. Quando repórteres pediram que ele explicasse melhor, respondeu de forma vaga: “O que isso significa? Me diga você, eu não sei.”

Logo depois, completou: “Conversarei com qualquer pessoa. Vamos ver no que isso dá.”

Enquanto a diplomacia patina, a operação militar avança. Os EUA têm realizado ataques constantes contra embarcações que, segundo o governo americano, transportariam drogas. Desde setembro, já foram 21 ofensivas no Caribe e no Pacífico, deixando ao menos 83 mortos. No sábado, mais um barco foi destruído — vídeo divulgado pelo Comando Sul mostra a explosão na qual três pessoas morreram.

A chegada do porta-aviões Ford marca um salto gigantesco no poder de fogo na região. Agora, a “Operação Lança do Sul” reúne cerca de uma dúzia de navios da Marinha e cerca de 12 mil militares, entre marinheiros e fuzileiros navais. Para altos comandantes, o objetivo declarado é “proteger o Hemisfério Ocidental do narcoterrorismo”. Mas críticos apontam que se trata, na prática, de uma pressão direta sobre Maduro.

A Venezuela, que acusou os Estados Unidos de estarem “fabricando uma guerra”, anunciou recentemente uma mobilização “massiva” de tropas e civis para se preparar contra possíveis ataques. Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo nos EUA, participou neste fim de semana de atos públicos pedindo resistência e apoio popular.

Em Trinidad e Tobago — país a apenas 11 km da costa venezuelana — tropas americanas iniciaram novos exercícios conjuntos. É a segunda vez em menos de um mês que isso ocorre. O governo local afirma que o objetivo é combater o crime organizado, mas Caracas chamou essas manobras de “ato de agressão”.

Além disso, o secretário do Exército dos EUA revelou que soldados também estão treinando no Panamá, reforçando o foco crescente da Casa Branca na América Latina. “Estamos reativando nossa escola de selva. Estamos prontos para agir em qualquer situação”, afirmou.

Questionado sobre qual será o próximo passo em relação à Venezuela, Trump não abriu o jogo: “Eu meio que já me decidi.” Mas não contou qual foi a decisão.

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