
Trump afirma que Maduro “não quer conflito” com os EUA e teria oferecido tudo em negociação
Declaração ocorre durante encontro com Zelensky na Casa Branca, em meio à escalada de tensões militares no Caribe
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (17/10) que Nicolás Maduro, líder da Venezuela, “não deseja se envolver em conflito” com os EUA. A fala aconteceu durante reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, na Casa Branca, enquanto a presença militar americana no Caribe aumenta as tensões entre os dois países.
Questionado sobre relatos de que Maduro teria oferecido “tudo” — incluindo petróleo e minerais venezuelanos — para negociar com os Estados Unidos, Trump afirmou: “Ele ofereceu tudo, é verdade. Sabe por quê? Porque ele não quer arrumar confusão com os Estados Unidos”.
De acordo com o jornal The New York Times, a oferta de Maduro foi feita neste ano, mas rejeitada pelos EUA, que mantiveram portas diplomáticas fechadas para a Venezuela. Na semana passada, Trump confirmou ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano e afirmou que estuda ataques terrestres contra cartéis do país.
Enquanto isso, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, teria apresentado à Casa Branca dois planos de transição de governo sem Maduro, com mediação do Catar. O primeiro plano, de abril, previa a saída de Maduro e acesso americano aos setores de petróleo e mineração, mas foi rejeitado. O segundo, de setembro, sugeria uma liderança compartilhada entre Delcy e Miguel Rodríguez Torres, exilado na Espanha, mantendo Maduro em exílio no Catar ou na Turquia — proposta também recusada pelos EUA, que temem que estruturas do governo atual permaneçam sob novo disfarce.
Em resposta à presença militar americana, Maduro ordenou exercícios contínuos e convocou civis para treinamento militar. Na quinta-feira (16), a Venezuela posicionou tropas estrategicamente, anunciando medidas de defesa diante da aproximação de navios e aviões de guerra norte-americanos no Caribe.
A escalada das tensões ressalta a delicadeza das negociações e a pressão militar crescente, enquanto os EUA reforçam sua presença na região e a Venezuela se prepara para possíveis confrontos.