China intensifica repressão religiosa e prende dezenas de líderes cristãos
Maior operação em décadas atinge Igreja Zion; pastores são detidos e fiéis interrogados em várias províncias do país
Em uma das ações mais duras contra comunidades cristãs nas últimas décadas, o regime comandado por Xi Jinping prendeu ao menos 30 líderes e pastores da Igreja Zion, em uma operação coordenada que se espalhou por diversas regiões da China. As prisões ocorreram em Pequim, Guangxi, Zhejiang e Shandong, marcando uma nova etapa na repressão à liberdade religiosa no país.
Entre os detidos está Ezra Jin Mingri, fundador da Igreja Zion, preso em sua casa na cidade de Beihai, no sul da China. Ele é acusado de “uso ilegal de redes de informação” — crime que pode resultar em até sete anos de prisão. Durante as operações, agentes do governo confiscaram computadores, celulares e materiais religiosos utilizados pelos fiéis.
Segundo Sean Long, pastor exilado nos Estados Unidos e porta-voz da congregação, 150 membros da igreja foram interrogados e 20 líderes permanecem detidos. A revista Bitter Winter, especializada em liberdade religiosa na China, relatou que a ofensiva foi planejada em nível nacional e executada simultaneamente, com o objetivo de desarticular completamente as atividades da igreja.
Fundada em 2007, a Igreja Zion reúne cerca de 10 mil fiéis em 40 cidades chinesas e é conhecida por recusar o controle do Estado sobre suas atividades religiosas. Em 2018, o governo chinês proibiu oficialmente a igreja de operar, depois que seus líderes se negaram a instalar câmeras de vigilância dentro do templo, em Pequim.
A repressão gerou reação internacional. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, condenou as prisões e exigiu a libertação imediata dos religiosos. “Os Estados Unidos condenam veementemente a detenção de dezenas de líderes cristãos na China”, afirmou em nota.
Organizações como a ChinaAid classificaram a ação como a mais ampla perseguição religiosa dos últimos 40 anos. O governo chinês, no entanto, insiste que age “de acordo com a lei” e rejeita qualquer crítica estrangeira sobre o tema.