
Trump alerta: Israel perderia apoio dos EUA se anexasse Cisjordânia
Presidente americano diz que anexação do território palestino poderia comprometer relações com países árabes e provocar ruptura com Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o apoio americano a Israel estaria em risco caso o país decidisse anexar a Cisjordânia. A declaração foi publicada nesta quinta-feira (23/10) pela revista Time, um dia após o Parlamento israelense aprovar, em votação preliminar, dois projetos que abrem caminho para a tomada do território palestino. A medida recebeu críticas de integrantes da administração americana, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu culpou a Knesset pela aprovação.
“Isso não vai acontecer. Eu dei minha palavra aos países árabes, e Israel não pode agir agora. Tivemos um grande apoio árabe”, declarou Trump em entrevista concedida no dia 15 de outubro. “Se isso ocorrer, Israel perderia totalmente o apoio dos Estados Unidos.”
A reportagem da Time foi publicada no mesmo dia em que autoridades americanas condenaram a aprovação dos dois projetos na Knesset. Um dos textos estabelece que legislação, sistema judiciário e administração israelenses seriam aplicados a toda a Cisjordânia, enquanto o outro reforça a soberania do Estado judeu sobre um assentamento próximo a Jerusalém. Ambas as votações foram preliminares e ainda precisam passar por etapas adicionais para se tornarem definitivas.
Encerrando uma visita oficial de dois dias a Israel, o vice-presidente americano JD Vance classificou a votação como um “insulto”. No aeroporto de Tel Aviv, antes de retornar aos EUA, afirmou que a política do governo americano permanece contrária à anexação da Cisjordânia. O secretário de Estado Marco Rubio também reforçou que a medida poderia ser contraproducente e não tem o apoio de Washington.
O partido Likud, de Netanyahu, havia orientado seus deputados a não apoiarem o projeto, acusando a oposição de aproveitar a visita de Vance para criar tensão política. Apenas um parlamentar do Likud votou a favor e foi posteriormente afastado de uma comissão da Knesset. O gabinete do premiê destacou que os projetos necessitam de outras duas votações para avançarem e os classificou como uma manobra da oposição.
Apesar disso, a proposta de anexação teve apoio de legisladores da coalizão de Netanyahu, incluindo membros do Poder Judaico e do ministro da Segurança Interna, Itamar Ben-Gvir, demonstrando divisão interna sobre o tema.