
Antes do escândalo do INSS, esposa de procurador do PT reserva apartamento de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú
Thaisa Hoffmann, mulher do ex-procurador-geral Virgílio Filho, adquiriu imóvel de luxo e veículos caros enquanto o casal é investigado na Operação Sem Desconto
Em novembro de 2024, Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira Filho, formalizou a reserva de um apartamento de R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC). O casal está sob investigação na Operação Sem Desconto, que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social.
A transação, referente ao apartamento 7001, foi registrada através de um termo de reserva. Em julho de 2025, a construtora solicitou à Justiça o cancelamento da venda, citando o “risco iminente de constrição judicial do imóvel”.
Durante a gestão de Virgílio no INSS, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um acréscimo patrimonial de cerca de R$ 18 milhões em suas contas, o que sugere que os bens do casal podem superar os valores já investigados. Entre as suspeitas, Virgílio autorizou desbloqueios em massa de benefícios previdenciários em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), contrariando procedimentos regulares do instituto.
Documentos obtidos pela CPMI do INSS mostram que Thaisa adquiriu à vista três imóveis entre 2022 e 2024: um apartamento e uma sala comercial em Curitiba, onde residem, e um apartamento em Brasília, às margens do Lago Paranoá, próximo ao Palácio da Alvorada.
Segundo a Polícia Federal, Virgílio recebeu cerca de R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a investigados na “Farra do INSS”.
Além dos imóveis, o casal também investiu em veículos de luxo. Em 2024, Thaisa comprou um Porsche Cayenne híbrido de R$ 789 mil por meio de sua consultoria, enquanto Virgílio reservou um Audi A5 de R$ 380 mil e, em 2025, adquiriu uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG, avaliada em R$ 508,5 mil segundo a Tabela Fipe. O caso chamou atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A Contag, por sua vez, negou qualquer irregularidade, afirmando que todos os pedidos feitos à entidade seguiram os canais oficiais e os processos administrativos regulares, com base em argumentos técnicos e jurídicos legítimos. Em nota, a entidade reforçou que mantém sua atuação pautada pela legalidade, transparência e ética pública, e se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos.