Trump ameaça Brics: tarifas, bravatas e mais uma guerra do dólar à vista

Trump ameaça Brics: tarifas, bravatas e mais uma guerra do dólar à vista

Durante discurso inflamado, presidente dos EUA tenta deslegitimar o Brics com ameaças de tarifa e desprezo — tudo em nome da “salvação do dólar”. Mas o mundo já não gira só em torno de Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mirar suas baterias no Brics nesta sexta-feira, 18, numa mistura de ameaça econômica e desprezo diplomático. Durante um evento na Casa Branca, o republicano disparou que o grupo — formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — estaria tentando sabotar a supremacia do dólar. E como resposta, prometeu um tarifaço de 10% contra todos os países do bloco.

Sem detalhar como a taxação seria implementada, Trump reforçou que não hesitará em usar o poder econômico americano para conter qualquer tentativa de “desafiar o dólar”. “Não vamos deixar ninguém brincar com a gente”, disse ele, em tom que mais pareceu recado para plateia interna do que para líderes estrangeiros.

Como de costume, não faltaram ironias. Trump minimizou a importância da recente cúpula do Brics no Rio de Janeiro, afirmando que o evento “foi um fracasso” por não contar com a presença de Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia. “Eles se reuniram, mas ninguém apareceu. Esse grupo não vai durar muito. Duvido até que prossigam com isso”, alfinetou.

O discurso ganhou contornos ainda mais nacionalistas quando Trump defendeu a preservação da moeda americana como se estivesse falando de território em guerra: “Perder essa batalha é como perder uma guerra”.

O Brics, porém, vai além dos cinco membros fundadores. Nos últimos anos, o grupo se ampliou com a entrada de países como Egito, Irã e Indonésia, todos interessados em criar alternativas à ordem econômica dominada pelos EUA. Para muitos analistas, a postura beligerante de Trump pode, paradoxalmente, acelerar o movimento que ele tenta conter: a busca por um sistema financeiro multipolar.

Entre bravatas e tarifas, Trump parece cada vez mais preocupado em manter o dólar no topo da cadeia alimentar global — mesmo que, para isso, precise brigar com metade do planeta. Resta saber até quando o resto do mundo vai aceitar o papel de figurante nessa história.

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