
Trump exige “transparência” no caso Epstein, mas segue com os próprios arquivos trancados a sete chaves
Presidente americano quer abrir os registros do grande júri de Epstein, mas ignora a pilha de documentos que seu próprio governo se recusa a mostrar. Transparência seletiva ou só mais um truque político?
Donald Trump, o mesmo que vive bradando contra supostas fraudes e exigindo “verdades reveladas”, resolveu agora pedir a abertura dos registros do grande júri relacionados ao caso Jeffrey Epstein — aquele bilionário envolvido em tráfico sexual que morreu sob circunstâncias pra lá de suspeitas em 2019. A jogada veio depois que a imprensa divulgou uma carta picante, supostamente assinada por Trump, incluída em um álbum de aniversário do próprio Epstein.
Indignado com a repercussão, o presidente correu às redes sociais para negar qualquer ligação e rotular o conteúdo como “falso e malicioso”. Como bom mestre da encenação, disse ter orientado a procuradora-geral Pam Bondi a entregar “todo e qualquer testemunho relevante” — claro, desde que o tribunal permita. Até aí, tudo bem. O problema é o resto da história.
Enquanto tenta posar de defensor da transparência, o governo de Trump mantém escondidos milhares de outros documentos do caso, sob o pretexto de que o material está em “revisão” ou “protegido por sigilo judicial”. Isso mesmo: pede a abertura de um armário enquanto tranca os demais e esconde a chave.
Quer abrir a caixa de Pandora, mas só até onde convém.
Mesmo após prometer liberar “um caminhão de provas”, o Departamento de Justiça concluiu que… bem, não vai liberar mais nada. Pam Bondi, que antes se mostrava disposta, agora evita até falar do assunto. A desculpa da vez? Sigilo para proteger vítimas. Justo. Mas quem garante que o sigilo não esteja protegendo gente graúda também?
A Câmara dos Deputados deve votar uma resolução pedindo a liberação dos registros. Mas, como era de se esperar, o texto é simbólico e não tem peso legal. Ou seja, mais um teatrinho para enganar eleitor.
Enquanto isso, um grupo de democratas e até alguns republicanos tentam pressionar com um projeto de lei exigindo a liberação de documentos mais amplos. Se vai funcionar? Difícil. Ainda mais quando se luta contra um governo que diz querer clareza… mas só com a luz apagada.