Trump anuncia acordo que dá “acesso total” dos EUA à Groenlândia

Trump anuncia acordo que dá “acesso total” dos EUA à Groenlândia

Entendimento preliminar envolve Otan, segurança no Ártico e acende alerta sobre Rússia e China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que garantiu um acordo que concede aos EUA um “acesso total e permanente” à Groenlândia. O anúncio veio acompanhado de um alerta da Otan, que passou a cobrar dos países aliados um esforço maior para reforçar a segurança na região do Ártico diante do avanço estratégico da Rússia e da China.

A sinalização de Trump ocorreu após ele recuar de ameaças de tarifas contra a Europa e descartar publicamente a possibilidade de tomar a Groenlândia à força. A mudança de tom trouxe certo alívio às relações transatlânticas, que vinham passando por um dos momentos mais tensos das últimas décadas.

Mercados reagem bem, mas desconfiança permanece

A nova postura do presidente americano animou os mercados europeus e ajudou Wall Street a retomar patamares recordes. Ainda assim, diplomatas e analistas avaliam que os danos à confiança entre Estados Unidos e Europa não foram totalmente revertidos.

Até agora, os detalhes do acordo seguem pouco claros. A Dinamarca, que detém soberania sobre a Groenlândia, foi categórica ao afirmar que a integridade territorial da ilha não está em negociação.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as relações entre o bloco e Washington sofreram “um duro golpe” na semana anterior, durante uma cúpula de emergência realizada pelos líderes europeus.

Groenlândia reage com cautela

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse receber com atenção as declarações de Trump, mas afirmou que não teve acesso a informações concretas sobre o suposto acordo.

“Não sei exatamente o que está sendo discutido sobre o meu país”, afirmou ele a jornalistas em Nuuk, capital do território. Segundo Nielsen, o governo local está aberto ao diálogo e a parcerias, mas deixou claro que soberania é uma linha inegociável.

“Podemos conversar sobre cooperação e segurança, mas não podemos abrir mão da nossa integridade territorial nem do direito internacional”, reforçou.

Otan entra no centro da negociação

Falando a jornalistas a bordo do Air Force One, Trump afirmou que um novo acordo está em construção e que seria “muito mais favorável aos Estados Unidos”. Ele evitou responder diretamente sobre soberania, mas disse que os EUA precisam ter liberdade para agir no que consideram estratégico.

Fontes ligadas às negociações revelaram que Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram em abrir novas conversas envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para atualizar o acordo de 1951, que regula a presença militar americana na ilha.

Esse novo desenho incluiria, segundo interlocutores, a restrição de investimentos russos e chineses no território groenlandês. Ainda assim, diplomatas ressaltam que o que existe até agora é apenas uma estrutura inicial, sem definições fechadas.

Segurança no Ártico vira prioridade

Rutte afirmou que caberá à Otan definir rapidamente os novos requisitos de segurança para a região do Ártico e demonstrou expectativa de que isso avance ainda no início de 2026.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, confirmou que não houve qualquer negociação envolvendo soberania e defendeu uma presença permanente da Otan no Ártico, inclusive nas proximidades da Groenlândia.

Para líderes europeus, o temor é que divisões internas entre aliados acabem fortalecendo rivais estratégicos. “Quando Europa e Estados Unidos brigam entre si, quem ganha são nossos adversários”, alertou Kaja Kallas.

Bases, minerais e disputas globais

Trump também indicou interesse em ampliar sistemas de defesa antimísseis e garantir acesso a minerais estratégicos na região, como forma de conter a influência russa e chinesa no Ártico. Rutte, porém, afirmou que a exploração mineral não foi discutida diretamente com a Otan.

Desde 1951, os Estados Unidos têm autorização para manter bases militares e circular livremente na Groenlândia, desde que informem Dinamarca e autoridades locais. Atualmente, Washington mantém uma base em Pituffik, no norte da ilha.

Apesar do discurso mais conciliador, o impasse segue sensível. A Groenlândia continua no centro de uma disputa geopolítica que envolve defesa, soberania, recursos naturais e o equilíbrio de poder no Ártico — uma região cada vez mais estratégica no tabuleiro global.

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