
Trump demite diretora do Fed e aumenta pressão sobre política monetária americana
Lisa Cook, primeira mulher negra na cúpula do banco central, deixa o cargo após acusações de irregularidades; medida reforça embate do presidente com independência do Fed
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (25) a demissão de Lisa Cook, diretora do conselho de governadores do Federal Reserve (Fed). A decisão, publicada nas redes sociais e em carta formal à diretora, é vista como mais um capítulo da escalada de ataques de Trump à independência do banco central americano.
Na carta, Trump citou acusações envolvendo contratos de hipoteca e afirmou não confiar na integridade de Cook, afirmando que sua saída teria efeito imediato. Cook se tornou a primeira mulher negra a integrar a diretoria do Fed, e havia declarado anteriormente que não pretendia ceder a pressões políticas.
O episódio ocorre em meio a uma série de críticas de Trump ao Fed, incluindo xingamentos direcionados ao presidente da instituição, Jerome Powell, a quem chegou a chamar de “burro” e “teimoso”. O republicano acusa o banco central de manter juros altos, argumentando que a economia americana deveria operar com taxas pelo menos dois a três pontos percentuais abaixo das atuais.
Na prática, a saída de Cook e a de Adriana Kugler — que havia anunciado sua renúncia recentemente — abre espaço para que Trump indique diretores alinhados à sua agenda econômica. Se conseguir maioria no conselho, o presidente também poderia influenciar os chefes dos 12 bancos regionais do Fed, aumentando seu controle sobre a política monetária do país.
Especialistas jurídicos alertam, no entanto, que Trump precisa comprovar “justa causa” para demitir Cook, podendo enfrentar disputas judiciais caso a acusação de fraude hipotecária não seja confirmada.
No documento oficial, Trump afirma que há motivos para acreditar que Cook fez declarações contraditórias sobre imóveis em Michigan e na Geórgia, levantando dúvidas sobre sua conduta e confiabilidade como reguladora financeira. O presidente reforça que o Fed possui papel central na definição de juros e regulação bancária, e que os americanos “têm o direito de confiar plenamente” na honestidade de seus membros.