Lula critica endurecimento contra facções e tenta frear avanço do PL Antifacção

Lula critica endurecimento contra facções e tenta frear avanço do PL Antifacção

Presidente volta a reclamar do projeto, mesmo após anos dizendo que “traficante é vítima” e que ladrão “rouba celular para ter um dinheiro”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar o PL Antifacção, aprovado na Câmara por ampla maioria. Em suas redes sociais, nesta quarta-feira, Lula afirmou que o texto “enfraquece o combate ao crime organizado” e pediu que o Senado desfaça as mudanças feitas pelos deputados.

A ironia não passa despercebida: Lula, que já declarou em entrevistas que “traficante também é vítima” e que quem rouba celular é porque “precisa de um dinheiro”, agora age como se endurecer a lei fosse uma ameaça ao país. Para muita gente, soa como a velha fórmula — suavizar o crime, atacar quem tenta apertar o cerco e posar de defensor da segurança pública.

Segundo Lula, as alterações feitas pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP) gerariam “insegurança jurídica”. “Trocar o certo pelo duvidoso só favorece quem quer escapar da lei”, escreveu o presidente — justamente ele que sempre tratou criminosos com um discurso condescendente.

O texto aprovado prevê medidas duras:

  • penas de 20 a 40 anos, podendo chegar a 66 anos;
  • fim de brechas e endurecimento para progressão de regime;
  • ampliação do confisco de bens do crime organizado;
  • criação de um cadastro nacional de criminosos;
  • e regras mais rígidas de comunicação e monitoramento de presos.

Mesmo assim, Lula insiste que o projeto atrapalha — embora, curiosamente, o governo tenha enviado ao Congresso uma versão bem mais suave, criticada até por policiais que lidam com facções no dia a dia.

O Planalto reclama também da destinação dos valores apreendidos do crime, dizendo que isso poderia “asfixiar” corporações como a PF e PRF. Além disso, argumenta que o novo marco legal criaria sobreposição de leis e “conceitos diferentes” dos já existentes.

Para quem acompanha a política brasileira, o cenário não surpreende: quando se fala em apertar o cerco contra facções, milícias e grupos paramilitares, Lula sempre prefere o discurso brando, o apelo emocional, a crítica ao “exagero”, mesmo quando a realidade do crime organizado no Brasil exige o oposto.

No fim, o PL agora segue para o Senado, onde o governo tentará reverter parte do texto — e manter o velho jogo de frear qualquer medida que realmente coloque as facções contra a parede.

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