
Trump endurece contra o Brasil e deixa governo Lula em alerta máximo
Sem sinais de recuo, presidente dos EUA mantém tarifas elevadas e aprofunda clima de apreensão no Planalto, que vê o impasse político-econômico se agravar.
BRASÍLIA — O presidente Donald Trump não deu espaço para otimismo no governo Lula. Em uma mensagem clara e dura, ele sinalizou que as tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, impostas recentemente pelos Estados Unidos, devem permanecer firmes — deixando a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cada vez mais preocupada.
De acordo com fontes próximas ao Palácio do Planalto, Trump quer mesmo “punir” o Brasil, e seu posicionamento não tem relação com fundamentos econômicos, já que não haveria justificativa técnica para a aplicação da tarifa máxima.
Enquanto as negociações oficiais estão emperradas e a situação comercial entre os dois países se complica, o Brasil tenta denunciar essas medidas como arbitrárias na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas ainda sem perspectiva de avanço.
Na quarta-feira (23), Trump declarou que as tarifas recíprocas americanas vão variar entre 15% e 50%, sendo a maior alíquota direcionada a países com os quais os EUA mantêm atritos políticos, e o Brasil claramente está nessa lista.
Um assessor próximo a Lula resumiu a situação: “Isso virou uma questão pessoal para Trump, o que infelizmente indica que o imposto de 50% vai mesmo ser mantido.”
Enquanto isso, no cenário global, os Estados Unidos comemoram acordos comerciais, como o recente com o Japão, e buscam ampliar negociações com a União Europeia — o que contrasta com o bloqueio nas tratativas com o Brasil.
Aqui no Brasil, o dólar até teve uma leve queda ontem, fechando cotado a R$ 5,52, mas isso pouco ameniza a apreensão diante do impasse político e econômico que domina as discussões.
Com apenas oito dias para a entrada em vigor das tarifas recíprocas, o clima no Planalto é de cautela e preocupação. O impasse não é só econômico, mas político, o que dificulta ainda mais qualquer avanço.
Curiosamente, os Estados Unidos ainda têm superávit comercial com o Brasil, o que em uma negociação normal poderia facilitar acordos — mas no momento, o atrito pessoal e político com Trump ofusca qualquer possibilidade de entendimento.