
“Voa Brasil” decola mal: após um ano, só 1,5% das passagens foram vendidas
Prometido como solução acessível para aposentados viajarem de avião, programa do governo Lula acumula frustração e baixa adesão — e segue com expansão indefinida.
BRASÍLIA — Lançado com alarde pelo governo Lula há exatamente um ano, o programa “Voa Brasil” parece ter ficado preso na pista. Criado para oferecer passagens aéreas por até R$ 200 a aposentados do INSS que não viajaram de avião nos últimos 12 meses, o projeto vendeu apenas 45 mil bilhetes — um tímido 1,5% dos 3 milhões prometidos.
A proposta, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, era aproveitar assentos ociosos e temporadas de baixa demanda, oferecendo preços populares via site oficial. Mas até agora, a ideia que parecia promissora ficou restrita a poucos voos e muitos anúncios.
O programa, que ainda está em sua fase inicial, não exige comprovação de renda — ou seja, até quem recebe o teto do INSS (R$ 7.786,02) pode se beneficiar. Apesar disso, os resultados ficaram bem abaixo da expectativa. Os destinos mais procurados foram São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília, com maior concentração de embarques no Sudeste e Centro-Oeste.
O ministro Sílvio Costa Filho chegou a anunciar, no começo do programa, que haveria uma segunda fase incluindo estudantes do ProUni e Pronatec. Mas essa ampliação nunca saiu do papel — e, ao que tudo indica, também não há previsão de decolagem.
A verdade é que, para quem esperava voar mais barato, o “Voa Brasil” ainda não passou da sala de embarque. Enquanto o governo tenta vender a imagem de um Brasil mais acessível pelos ares, os números continuam estacionados, e o sonho de democratizar os céus brasileiros continua só no discurso.
Avião cheio de promessas, mas quase vazio de passageiros.