
Trump mira Congresso brasileiro: Hugo Motta e Alcolumbre entram na mira de sanções dos EUA
Casa Branca avalia aplicar punições inéditas contra os presidentes da Câmara e do Senado por resistência a pautas que interessam à extrema direita internacional
O governo de Donald Trump, que reassumiu a presidência dos Estados Unidos, estuda uma resposta dura a dois nomes centrais do Congresso brasileiro: Hugo Motta, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. A ideia não é apenas cortar vistos diplomáticos ou dificultar viagens. O plano vai além: aplicar a chamada Lei Magnitsky, uma medida pesada que pode bloquear transações em dólar e é normalmente usada contra acusados de graves violações de direitos humanos.
Por enquanto, quem mais corre risco de ser atingido primeiro é o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Caso isso se concretize, a medida funcionaria como um teste — a intenção é observar como outras autoridades brasileiras reagirão.
Trump e seus aliados estão de olho em duas frentes no Congresso. Na Câmara, querem que Hugo Motta coloque em votação o projeto que concede anistia a envolvidos no 8 de janeiro — medida que favoreceria diretamente Jair Bolsonaro e seus aliados. Já no Senado, a pressão recai sobre Davi Alcolumbre, para que paute o impeachment de Moraes. Nesta semana, inclusive, o senador Flávio Bolsonaro apresentou mais um pedido para afastar o ministro.
A expectativa da Casa Branca não é exatamente que os presidentes da Câmara e do Senado comprem a briga e aprovem as propostas. Mas sim que deixem os textos andarem, colocando-os em pauta para votação. Só isso já seria o suficiente para Trump sinalizar apoio e afastar a ameaça das sanções.
Apesar dos atritos recentes com o STF, tanto Motta quanto Alcolumbre ainda mantêm uma linha de diálogo com o governo Lula — o que, para os estrategistas de Trump, soa como um obstáculo à sua agenda de revanche política no Brasil.