Brasil tenta diálogo com EUA, mas porta oficial segue fechada diante da ameaça de sobretaxa

Brasil tenta diálogo com EUA, mas porta oficial segue fechada diante da ameaça de sobretaxa

Enquanto o governo brasileiro busca negociar a taxação de 50% sobre produtos nacionais, interlocução esbarra na decisão da Casa Branca e cria apreensão sobre prazo iminente.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez uma tentativa direta para conversar com o governo dos Estados Unidos. Por meio da sua equipe, ele procurou o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, para discutir a ameaça dos EUA de impor uma sobretaxa de 50% sobre as importações brasileiras. Mas, apesar do esforço, a resposta foi clara: o caso está nas mãos da Casa Branca, e o canal oficial de negociação permanece fechado.

Essa informação veio do próprio Haddad, que compartilhou com membros do governo Lula que tentou essa aproximação na segunda-feira (21). Na noite de quarta (23), ele disse aos jornalistas que continua buscando contato com técnicos do Tesouro americano, mas que as decisões estão concentradas na equipe do presidente Donald Trump.

Antes disso, o vice-presidente Geraldo Alckmin também buscou diálogo diretamente com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, mas ouviu a mesma resposta: só com autorização do presidente Trump haverá uma abertura oficial para negociação.

Sem uma resposta clara, cresce a preocupação no governo brasileiro sobre a possibilidade de a sobretaxa ser anunciada no limite do prazo, sem que o Brasil tenha tempo para reagir ou até recorrer judicialmente. Para tentar driblar a burocracia formal, o governo tem buscado contatos extraoficiais com representantes americanos, mas o diálogo direto ainda é difícil.

Nas conversas informais, o Brasil demonstra abertura para negociar alguns pontos, como o etanol, mas deixa claro que sua soberania não será negociada. Internamente, ministros acreditam que os americanos temem que Trump possa interferir ou anular qualquer avanço negociado por suas equipes técnicas.

Enquanto isso, o governo de Lula tenta envolver o setor empresarial brasileiro para pressionar os EUA, na esperança de que o impacto da sobretaxa também incomode os americanos e estimule o diálogo.

Mesmo diante da incerteza, Haddad afirma que o Brasil não abandonará a mesa de negociação e que, assim que for possível, o país vai mostrar suas razões com base técnica e racionalidade. Ele destaca que outros países já têm avançado em suas negociações com os EUA e que o Brasil espera sua vez.

A pressão interna cresce, inclusive com governadores se mobilizando para apoiar os exportadores, reconhecendo que esse não é um problema regional, mas nacional. Haddad valoriza essa mudança de postura, pois antes muitos celebravam acordos que agora são vistos como agressões estrangeiras ao Brasil.

Nos bastidores, há receio de que o presidente Trump use o caso brasileiro como um exemplo para intimidar outros países. Até o momento, as tentativas formais do Brasil têm sido ignoradas, e a Casa Branca tem dado prioridade a outros acordos, como os fechados recentemente com Indonésia e Japão.

Para lidar com esse cenário, ministros do governo se reuniram para planejar um contingenciamento, que deve ser apresentado ao presidente Lula na próxima semana. O objetivo é estar preparado para o pior cenário, mas sem perder a esperança de que o diálogo possa ser retomado a tempo.

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