
Trump pressiona o Brasil e ameaça retaliar por causa de Lula e Moraes
Presidente dos EUA impõe tarifa de 50% a produtos brasileiros e critica tratamento dado a Bolsonaro
A relação entre Estados Unidos e Brasil voltou a ficar tensa. O governo de Donald Trump subiu o tom nesta segunda-feira (14) e fez novas ameaças ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O motivo? A condução dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e o endurecimento das relações comerciais entre os dois países.
A tensão ficou ainda mais evidente com uma publicação oficial feita nas redes do governo americano. Nela, o subsecretário Darren Beattie afirmou que Trump impôs “consequências há muito esperadas” ao governo brasileiro, em resposta ao que chamou de ataques à liberdade de expressão, ao comércio com os EUA e à figura de Bolsonaro.
Essa “consequência” já havia sido anunciada: uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor no dia 1º de agosto. Trump justificou a medida com argumentos políticos e econômicos, embora muitos especialistas e entidades do setor produtivo brasileiro alertem que não há fundamentos econômicos que sustentem essa decisão.
Enquanto isso, no Brasil, a Procuradoria-Geral da República se prepara para apresentar as alegações finais do processo em que Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado. A resposta do presidente Lula veio em forma de decreto, regulamentando a chamada Lei da Reciprocidade, que pode ser usada como contragolpe econômico às ações americanas.
No comunicado publicado no X (ex-Twitter), Beattie também chamou de “vergonha” o que, segundo ele, é a forma como o STF tem tratado Bolsonaro. “Tais ataques estão muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil”, diz a nota, em tom claramente hostil.
A crise diplomática se intensifica num momento delicado da política brasileira, com o julgamento de Bolsonaro caminhando para a reta final. O ex-presidente, que já está inelegível até 2031 por decisão da Justiça Eleitoral, agora enfrenta um processo no Supremo por envolvimento direto em uma tentativa de golpe.
Enquanto Trump tenta usar Bolsonaro como símbolo político de sua narrativa contra o “establishment”, setores da economia brasileira — como a indústria e o agronegócio — temem os impactos reais do tarifaço e pedem que o governo brasileiro busque uma saída diplomática urgente.