
Zanin acompanha Moraes e vota pela condenação do grupo acusado de espalhar desinformação golpista
Ministro do STF defende punição a integrantes que atuaram para desacreditar eleições e estimular ataques às instituições
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, votou a favor da condenação de integrantes do chamado “núcleo da desinformação”, acompanhando integralmente o relator Alexandre de Moraes. Ele rejeitou todas as tentativas de anulação do processo apresentadas pelas defesas e manteve as acusações contra seis dos sete réus.
A única exceção foi o engenheiro Carlos César Moretzsohn Rocha, que teve parte dos crimes retirados por falta de provas — mas ainda responderá por organização criminosa e atentado ao Estado Democrático de Direito.
Zanin também descartou um documento apresentado pela Procuradoria-Geral da República na etapa final do processo, por não constar nos autos desde o início.
Como o grupo atuava, segundo o STF
Para o ministro, os acusados tiveram um papel fundamental na criação e disseminação de narrativas falsas sobre o sistema eleitoral e suas autoridades, incentivando atos violentos. Ele reforçou que havia uma divisão clara de funções, com uso de técnicas militares para manipular manifestações antidemocráticas.
O objetivo, segundo Zanin, era “romper o Estado Democrático de Direito”.
Os sete réus ligados ao núcleo são militares da ativa ou da reserva e um ex-integrante da Abin:
- Ailton Barros — ex-major do Exército
- Ângelo Denicoli — major da reserva
- Carlos César Moretzsohn Rocha — presidente do Instituto Voto Legal
- Giancarlo Rodrigues — subtenente do Exército
- Guilherme Marques de Almeida — tenente-coronel
- Marcelo Bormevet — agente da PF e ex-Abin
- Reginaldo Vieira de Abreu — coronel da reserva
Rastro do 8 de janeiro
Antes do voto de Zanin, a PGR detalhou a atuação da suposta central de desinformação, afirmando que ela foi decisiva para criar o clima de instabilidade que culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
De acordo com o procurador-geral Paulo Gonet, a estrutura clandestina também teria usado recursos da Abin para monitorar autoridades e adversários e alimentar campanhas de fake news:
“Havia uma máquina paralela dentro do Estado funcionando para fins políticos”, disse Gonet.
Defesas negam e pedem absolvição
Os advogados dos acusados contestaram o que chamam de acusação genérica, negaram qualquer intenção golpista e alegaram falta de provas.
O julgamento segue com os votos dos demais ministros da Primeira Turma do STF.