
Trump promete “cheque de gratidão” de US$ 2 mil aos americanos — pago com o dinheiro das tarifas
Em meio a disputas na Suprema Corte, o ex-presidente transforma tarifas de importação em promessa de “dividendo patriótico”, enquanto economistas alertam: a conta pode não fechar.
Donald Trump voltou a apostar na retórica do “dinheiro direto no bolso do povo”. Em uma postagem no Truth Social neste domingo, o ex-presidente prometeu enviar cheques de pelo menos US$ 2.000 (R$ 10,6 mil) aos cidadãos americanos, bancados com a arrecadação das tarifas impostas a produtos estrangeiros.
Segundo Trump, o objetivo seria “recompensar os contribuintes” e, de quebra, ajudar a reduzir a dívida pública dos Estados Unidos — que já ultrapassa os US$ 38 trilhões. O anúncio veio enquanto a Suprema Corte analisa a legalidade de sua política tarifária, baseada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Na mesma publicação, Trump atacou os críticos da medida, chamando-os de “tolos”, e afirmou que o país “nunca arrecadou tanto dinheiro”. De fato, o Tesouro americano registrou US$ 195 bilhões em receitas tarifárias no último ano fiscal. Projeções do Yale Budget Lab indicam que, entre 2026 e 2035, esse valor pode chegar a US$ 2,6 trilhões — desde que o tribunal não derrube a base legal das tarifas.
A proposta, no entanto, ainda é um balão de ensaio político. Trump não explicou quem teria direito ao benefício, nem quando ele seria pago. Garantiu apenas que “ricos não receberão um centavo”, sem definir o que, exatamente, significa “rico”.
Economistas veem a promessa com ceticismo. Segundo cálculos do analista André Perfeito, se Trump realmente pagar os US$ 2.000 a todos os americanos, o custo superaria US$ 694 bilhões (R$ 3,7 trilhões) — um valor que poderia agravar ainda mais o rombo fiscal dos EUA.
Mesmo assim, o discurso cai bem no eleitorado populista que o apoia. Trump já havia sugerido ideias semelhantes em entrevistas, chamando os repasses de “dividendo do povo americano”, um tipo de bônus patriótico financiado pelo que ele considera a vitória de suas tarifas sobre países como China, México e Brasil.
Mas, enquanto a Suprema Corte decide se ele pode ou não manter o modelo, uma coisa é certa: Trump encontrou um novo mote eleitoral — transformar tarifas em cheques e nacionalismo em campanha.