
Trump reafirma que EUA assumiram o controle da Venezuela
Enquanto Washington negocia com novo governo, presidente interina diz buscar relação equilibrada com os americanos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar neste domingo (4) que Washington passou a exercer o comando da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro e o início de conversas com as novas autoridades do país sul-americano.
As declarações reforçam a posição adotada pela Casa Branca desde a retirada de Maduro e de sua esposa do território venezuelano na madrugada de sábado, episódio que gerou reações críticas dentro e fora dos Estados Unidos. Trump, no entanto, manteve o tom firme e afirmou que o país atravessa um momento de reorganização sob liderança americana.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou estar disposta a dialogar com o governo Trump e defendeu uma relação baseada em respeito mútuo e equilíbrio institucional entre Caracas e Washington. O Exército venezuelano reconheceu Rodríguez como chefe interina do Executivo, e ela já realizou sua primeira reunião ministerial.
Maduro, acusado nos Estados Unidos de narcotráfico e terrorismo, está detido em Nova York e aguarda apresentação à Justiça americana nesta segunda-feira (5).
Ao ser questionado por jornalistas no Air Force One sobre quem, de fato, governa a Venezuela neste momento, Trump respondeu de forma direta:
“Estamos lidando com as novas autoridades. Quem está no comando? Somos nós.”
Segundo o presidente americano, os Estados Unidos estão abertos a cooperar com setores remanescentes do antigo governo venezuelano, desde que os objetivos de Washington sejam atendidos — especialmente a abertura do país ao investimento estrangeiro, com foco nas vastas reservas de petróleo.
Quando perguntado se a operação tinha como motivação o petróleo ou uma mudança de regime, Trump afirmou que o propósito maior seria “a paz no mundo”.
“Um país quebrado”
Trump também afirmou que eleições na Venezuela não estão no horizonte imediato. Para ele, o país precisa primeiro ser estabilizado.
“Vamos governar, organizar tudo e, no momento certo, realizar eleições. Antes disso, é preciso consertar um país que foi levado à falência”, declarou.
No mesmo discurso, o presidente americano voltou a atacar outros líderes da região, como o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, a quem acusou, sem apresentar provas, de envolvimento com o narcotráfico. Também fez comentários duros sobre Cuba e Irã, prometendo pressão máxima contra ambos.
Mais cedo, Trump havia alertado que a presidente interina da Venezuela precisaria cooperar com os Estados Unidos se não quisesse enfrentar “consequências severas”.
Enquanto isso, o opositor Edmundo González Urrutia, falando do exílio na Espanha, afirmou que a captura de Maduro representa um avanço importante, mas insuficiente. Ele defendeu o reconhecimento dos resultados eleitorais de 2024, que afirma ter vencido, além da libertação de presos políticos como condição para uma transição democrática.
No cenário interno, hospitais venezuelanos não divulgaram números oficiais de vítimas após os ataques. Entidades médicas apontam dezenas de mortos e feridos, enquanto governos estrangeiros, como Cuba, afirmam que cidadãos seus também morreram na operação.
Incertezas sobre o futuro
Apesar do êxito inicial da ação militar, ainda há dúvidas sobre o plano de longo prazo dos Estados Unidos para a Venezuela. Trump chegou a dizer que o país será “governado” por Washington, mas o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o objetivo não é promover eleições imediatas nem uma troca completa de regime, e sim combater redes criminosas ligadas ao narcotráfico.
Rubio destacou ainda a presença de uma forte força naval americana no Caribe, responsável tanto pela operação quanto pelo bloqueio de embarcações ligadas à exportação de petróleo venezuelano sob sanções.
O futuro político da Venezuela segue indefinido, em meio a uma combinação de pressão internacional, negociações internas e disputas sobre soberania, governança e reconstrução institucional.