Trump recebe novo líder sírio e suspende sanções: uma reaproximação improvável

Trump recebe novo líder sírio e suspende sanções: uma reaproximação improvável

Após anos de rompimento e guerra, Estados Unidos e Síria ensaiam um novo diálogo político — um gesto que mistura diplomacia, pragmatismo e controvérsias.

Em um movimento que surpreendeu o cenário internacional, os Estados Unidos decidiram prorrogar por mais 180 dias a suspensão das sanções econômicas contra a Síria, logo após o encontro entre Donald Trump e o novo presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, realizado nesta segunda-feira (10/11) na Casa Branca.

O anúncio, feito em comunicado conjunto pelos Departamentos do Tesouro, Estado e Comércio, renova a isenção concedida em maio pela Lei César de Proteção Civil da Síria, que havia imposto duras restrições ao antigo governo de Bashar al-Assad. Agora, empresas americanas poderão voltar a exportar bens civis, softwares e tecnologias básicas ao território sírio — desde que não envolvam parceiros ligados à Rússia ou ao Irã.

Uma reaproximação inédita

A visita de al-Sharaa é histórica: trata-se do primeiro líder sírio a pisar oficialmente na Casa Branca desde 1946, ano da independência do país. O gesto simboliza uma mudança brusca nas relações entre Washington e Damasco, rompidas há mais de uma década por conta da guerra civil e das acusações de crimes do regime anterior.

Entretanto, o novo aliado de Trump carrega um passado controverso. Ex-comandante do Hayat Tahrir al-Sham (HTS) — grupo que teve ligações diretas com a Al-Qaeda —, al-Sharaa foi recentemente retirado das listas de organizações terroristas mantidas pelos EUA, Reino Unido e ONU. Sua trajetória de ex-combatente a chefe de Estado é vista por analistas como uma tentativa de “reinvenção política forçada”.

Durante o encontro, Trump e al-Sharaa discutiram a reconstrução da Síria, a retomada das relações diplomáticas e estratégias de segurança regional. As fotos oficiais divulgadas por Damasco mostram os dois líderes no Salão Oval, lado a lado com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Defesa Pete Hegseth.

Do campo de batalha ao Salão Oval

A presença de al-Sharaa na Casa Branca é um retrato vivo das reviravoltas do Oriente Médio: um ex-militante, antes caçado, agora tratado como parceiro. Para o pesquisador Michael Hanna, do International Crisis Group, o encontro “representa um marco simbólico na tentativa de legitimar o governo pós-Assad e integrá-lo novamente à comunidade internacional”.

Trump, em seu estilo direto, chamou o sírio de “jovem e carismático” e prometeu apoio financeiro à reconstrução do país. Segundo fontes diplomáticas, os EUA avaliam até instalar uma base militar próxima a Damasco, sob o argumento de “coordenar ajuda humanitária e garantir estabilidade regional”.

O que se desenha é um novo capítulo nas alianças do Oriente Médio, onde antigos inimigos se transformam em parceiros por conveniência — e onde cada gesto diplomático parece carregar, nas entrelinhas, o peso da estratégia e da oportunidade.

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