
Trump tenta reverter condenação por abuso sexual e acusa Justiça de perseguição política
O presidente americano pediu à Suprema Corte que anule sua condenação por abuso e difamação contra a escritora E. Jean Carroll, alegando manipulação processual e motivação política.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu à Suprema Corte americana para tentar anular sua condenação por abuso sexual e difamação contra a jornalista e escritora E. Jean Carroll. O pedido foi formalizado nesta segunda-feira (10), marcando mais um capítulo da longa batalha judicial que acompanha o republicano desde antes de sua volta à Casa Branca.
Trump foi considerado culpado em 2023 por agredir sexualmente Carroll em uma loja de departamentos em Nova York nos anos 1990, além de tê-la difamado em declarações públicas décadas depois. O ex-presidente foi obrigado a pagar US$ 5 milhões (cerca de R$ 26 milhões), embora não tenha recebido pena de prisão, já que o processo correu na esfera civil.
Em nova tentativa de defesa, seus advogados alegaram que o julgamento foi “politicamente motivado” e repleto de “erros processuais”, permitindo que o júri considerasse “provas inflamadas” e depoimentos que, segundo a defesa, jamais deveriam ter sido aceitos. “Nenhuma evidência física ou de DNA confirma as alegações de Carroll. Trata-se de uma farsa movida por interesses políticos”, diz o documento entregue à Suprema Corte.
Um caso que marcou a trajetória política de Trump
Carroll, hoje com 79 anos, afirma que foi atacada por Trump em 1996, dentro de um provador da loja Bergdorf Goodman, próxima à Trump Tower. O caso veio à tona em 2019, quando ela publicou suas memórias inspirada pelo movimento #MeToo. Em seu depoimento, a escritora disse ter ficado em silêncio por décadas, mas decidiu falar “por outras mulheres que nunca foram ouvidas”.
Trump, por outro lado, sempre negou as acusações. Disse que “nunca a conheceu” e chegou a afirmar que Carroll “não fazia seu tipo”, comentário que acabou sendo usado como prova de difamação.
Em 2024, a Justiça determinou uma nova indenização de US$ 83,3 milhões (R$ 440 milhões), após novas declarações públicas de Trump contra a escritora. O republicano não compareceu ao primeiro julgamento, mas prestou um breve depoimento no segundo.
“Caça às bruxas” e estratégia jurídica
A equipe jurídica de Trump voltou a repetir o discurso de perseguição política — chamando os processos de “guerra judicial liberal” e “caça às bruxas” contra o presidente. Eles acusam o juiz Lewis Kaplan de ter conduzido um julgamento “tendencioso” e de permitir depoimentos de outras mulheres que também acusaram Trump de abuso em décadas anteriores.
Apesar dos esforços, o Tribunal de Apelações do 2º Circuito manteve a condenação, classificando o valor da indenização como “justo e proporcional”. A Suprema Corte, composta majoritariamente por juízes indicados pelo próprio Trump, ainda não informou se aceitará revisar o caso.
Enquanto isso, o presidente tenta se equilibrar entre o poder político e as batalhas judiciais que o cercam — mantendo o discurso de que é vítima de um sistema que, segundo ele, “usa a Justiça como arma política”.
Para seus críticos, o pedido de anulação é apenas mais um episódio na tentativa de reconstruir sua imagem pública e evitar que o passado se torne um obstáculo em seu novo mandato. Já para seus aliados, é a prova de que Trump continua enfrentando um establishment judicial que nunca aceitou sua volta ao poder.