
TSE marca julgamento que pode derrubar Cláudio Castro e mudar o comando do Rio
Governador e presidente da Alerj são acusados de usar contratações públicas para favorecer campanhas eleitorais; decisão do TSE pode cassar os mandatos e tornar ambos inelegíveis.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima terça-feira (4) o julgamento de duas ações que podem definir o futuro político do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ambos são acusados de irregularidades na contratação de funcionários do Ceperj — supostamente usados como cabos eleitorais durante a campanha. Os dois negam qualquer envolvimento nas irregularidades.
O caso chegou ao TSE depois que o Ministério Público Eleitoral recorreu da decisão do TRE-RJ, que havia absolvido Castro e Bacellar. A relatora do processo é a ministra Isabel Gallotti, que liberou o caso para julgamento antes do término de seu mandato na Corte, previsto para 21 de novembro.
A Procuradoria-Geral Eleitoral considera que houve abuso de poder político e econômico, o que justificaria a cassação dos mandatos e a inelegibilidade de ambos. Caso o governador perca o cargo, quem assumirá interinamente será o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto de Castro.
Cláudio Castro, que já não pode disputar nova reeleição, enfrenta ainda forte pressão política após a recente operação policial mais letal da história do estado, com ao menos 121 mortos, segundo o governo — número que pode chegar a 132, de acordo com a Defensoria Pública.
Rodrigo Bacellar, por sua vez, já se movimenta nos bastidores para tentar concorrer ao governo estadual em 2026.
O julgamento no TSE promete ser decisivo — não apenas para o futuro político de Castro e Bacellar, mas também para o equilíbrio de forças no Rio, onde a fronteira entre o poder público e o uso político das instituições parece cada vez mais tênue.