
Venezuela acusa EUA de violar soberania e leva caso de Maduro ao Conselho de Segurança da ONU
Governo venezuelano afirma que presidente foi sequestrado e alerta para riscos à paz internacional
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu na manhã desta segunda-feira (5), em Nova York, para debater a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Durante a sessão, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, acusou os EUA de promoverem uma grave violação da Carta das Nações Unidas, especialmente no que diz respeito aos princípios da soberania e da igualdade entre os Estados.
Segundo Moncada, as normas internacionais são claras ao proibir o uso da força ou a ocupação de um país soberano sem respaldo legal. Para ele, a ação americana desrespeitou essas diretrizes e abriu um precedente perigoso.
“Ameaça à paz global”
O diplomata venezuelano classificou a captura de Maduro como um “sequestro” e afirmou que o episódio ultrapassa os limites de uma disputa bilateral, colocando em risco a paz e a segurança internacionais.
“Se o sequestro de um chefe de Estado, o bombardeio de um país soberano e ameaças militares forem normalizados, o impacto para a ordem mundial será devastador”, declarou Moncada aos membros do conselho.
Ele reforçou que a operação conduzida por Washington é ilegítima e voltou a citar a detenção de Maduro e de Cilia Flores como uma afronta direta ao direito internacional.
Reunião solicitada pela Colômbia
O encontro foi solicitado pela Colômbia, atualmente governada por Gustavo Petro, que vem mantendo atritos frequentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar de participar da reunião, o Brasil não tem direito a voto no conselho.
Além dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido —, o colegiado conta, neste mês, com a presidência da Somália. A Colômbia ocupa a cadeira que representa a América do Sul no atual mandato.
Contexto regional
A reunião na ONU ocorre logo após um encontro extraordinário da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na ocasião, o chanceler venezuelano Yván Gil classificou a ação dos EUA como criminosa e pediu que os países do bloco pressionem pela libertação de Maduro.
O governo venezuelano sustenta que a operação norte-americana não apenas fere a soberania do país, mas também ameaça a estabilidade política de toda a região.