
PT define nova direção: foco total na reeleição de Lula e ataques ao “tarifaço” de Trump
Edinho Silva assume comando com prioridade nas urnas de 2026 e aposta em diálogo com evangélicos
O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste sábado (23/8) sua nova executiva nacional. Sob a presidência de Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, a corrente interna Construindo um Novo Brasil (CNB) dominou a composição, ocupando 14 dos 26 cargos.
Entre os vice-presidentes estão Jilmar Tatto, Joaquim Soariano, José Guimarães, Rubens Júnior e Washington Quaquá. No Congresso, Lindbergh Farias seguirá à frente da bancada na Câmara e Rogério Carvalho comandará no Senado. Também integram a direção nomes ligados a áreas estratégicas como finanças, comunicação, articulação de políticas públicas e movimentos sociais.
Prioridade: reeleger Lula
Na entrevista coletiva após a eleição da nova executiva, Edinho foi direto: o eixo central do PT é garantir mais um mandato a Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
“As eleições são a prioridade número um. Nosso esforço será pela reeleição do presidente Lula”, afirmou.
O dirigente também ressaltou a necessidade de o partido aprofundar o diálogo com evangélicos, público onde Lula enfrenta maior rejeição. Pesquisas recentes mostram que 65% desse eleitorado desaprova a gestão atual, número que, apesar de alto, já representa uma leve melhora em relação a julho.
“É hora de derrubar preconceitos e criar pontes com lideranças religiosas. O PT precisa estar presente nesse diálogo”, reforçou Edinho.
Embate com Trump e o tarifaço
Além das eleições, o PT pretende liderar manifestações contra o chamado “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O movimento deve ganhar força nas comemorações de 7 de Setembro, com atos em todo o país.
Segundo Edinho, a medida do governo de Donald Trump não tem justificativa econômica, mas sim caráter político, usado como retaliação e tentativa de influenciar o cenário brasileiro.
“O Brasil está sendo punido injustamente. Esse tarifaço não passa de uma atitude autoritária. Precisamos reagir, porque abrir mão de nossa soberania seria um erro histórico”, declarou.
Ele ainda alertou para o risco de se normalizar atos como o 8 de janeiro de 2023, quando houve a tentativa de golpe em Brasília. “Se aceitarmos isso, qualquer derrotado nas urnas poderá se sentir no direito de tentar um novo golpe”, criticou.