
Violência em alta, dependência social recorde — mas o show não pode parar
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Enquanto mais da metade da população depende do Bolsa Família, Salvador gasta milhões em cachês milionários para celebrar a virada do ano
Salvador, capital de um dos estados mais violentos do Brasil e onde mais da metade da população sobrevive graças ao Bolsa Família, decidiu entrar o novo ano em grande estilo — pelo menos no palco. A prefeitura destinou mais de R$ 13 milhões para bancar os shows do Festival Virada Salvador 2026, evento marcado para acontecer entre os dias 27 e 31 de dezembro, na orla da Boca do Rio.
Em meio a comunidades dominadas pelo crime, hospitais sobrecarregados e bairros esquecidos pelo poder público, a prioridade parece clara: música alta, fogos e cachês de fazer inveja a muito CEO. Ivete Sangalo e a dupla Jorge e Mateus lideram a lista dos mais bem pagos, com R$ 1 milhão cada. Logo atrás vêm DJ Alok, Simone Mendes, Nattan e Mari Fernandez, todos com valores que giram entre R$ 800 mil e R$ 850 mil.
Os menores cachês — ainda assim altos para a realidade da maioria dos soteropolitanos — ficaram com Olodum (R$ 160 mil) e Edson Gomes (R$ 180 mil). Nada mal para quem vive em um estado onde falta segurança, emprego e perspectivas, mas sobra palco, luz e som.
Veja abaixo a lista completa dos valores dos cachês:
- Ivete Sangalo: R$ 1 milhão
- Jorge e Mateus: R$ 1 milhão
- DJ Alok: R$ 850 mil
- Simone Mendes: R$ 800 mil
- Nattan: R$ 800 mil
- Pablo: R$ 750 mil
- Bell Marques: R$ 750 mil
- Matheus e Kauan: R$ 750 mil
- Natanzinho Lima: R$ 750 mil
- Belo: R$ 700 mil
- Léo Santana: R$ 600 mil
- Xanddy Harmonia: R$ 450 mil
- Timbalada: R$ 450 mil
- Felipe Amorim: R$ 400 mil
- Leo Foguete: R$ 400 mil
- Durval Lelys: R$ 350 mil
- Claudia Leitte: R$ 350 mil
- Psirico: R$ 300 mil
- Tony Salles: R$ 300 mil
- Banda Parangolé: R$ 250 mil
- Edson Gomes: R$ 180 mil
- Banda Olodum: R$ 160 mil
A pergunta que ecoa fora da arena é simples: essa festa é para quem? Para o cidadão que convive diariamente com a violência e a dependência de auxílio do governo, ou para uma vitrine política onde a alegria dura cinco dias e os problemas seguem firmes no dia seguinte?
O dinheiro público, mais uma vez, escolheu o entretenimento como anestesia social. Porque, na Bahia oficial, enquanto a população luta para sobreviver, o poder público prefere garantir que a trilha sonora da crise seja animada.