Wagner Moura volta a atacar Bolsonaro nos EUA enquanto recebe milhões da cultura

Wagner Moura volta a atacar Bolsonaro nos EUA enquanto recebe milhões da cultura

Ator critica ex-presidente em programa americano, apesar de já ter sido beneficiado por recursos públicos para produções cinematográficas

A participação do ator Wagner Moura no famoso talk show de Jimmy Kimmel, nos Estados Unidos, acabou se transformando em mais um palco para críticas políticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a entrevista, o artista voltou a atacar Bolsonaro, chegando a compará-lo ao ex-presidente americano Donald Trump, chamando-o de “Trump brasileiro”.

A declaração ocorreu enquanto Moura divulgava o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, produção que concorre a prêmios internacionais e ganhou destaque às vésperas da cerimônia do Oscar.

Críticas políticas em pleno programa de entretenimento

Durante a conversa com Jimmy Kimmel, Wagner Moura afirmou que o filme nasceu da “perplexidade” dele e do diretor diante do governo Bolsonaro. Segundo o ator, o contexto político brasileiro teria influenciado diretamente a criação da obra.

Em determinado momento da entrevista, o artista ainda comentou que sente satisfação ao ver o ex-presidente respondendo a processos judiciais relacionados à chamada “trama golpista”. A fala foi recebida com aplausos pela plateia do programa.

O ator também comparou o cenário político brasileiro ao dos Estados Unidos e mencionou episódios recentes envolvendo imigração e violência policial, questionando o país que, segundo ele, se apresenta ao mundo como símbolo da luta pelos direitos civis.

Contradição que gera críticas: ataques constantes e benefícios do setor cultural

Apesar das declarações políticas frequentes contra Bolsonaro, críticos apontam uma contradição recorrente na postura do ator. Wagner Moura participou de produções cinematográficas que receberam recursos públicos ou incentivos culturais ao longo dos anos — algo comum no setor audiovisual brasileiro.

Entre essas produções está o filme Marighella, dirigido pelo próprio Moura, que enfrentou dificuldades de lançamento durante o governo Bolsonaro e se tornou um símbolo de disputa política no meio cultural.

Para muitos observadores, a postura do ator revela uma situação paradoxal: enquanto critica diariamente o ex-presidente e seus apoiadores, também se beneficia de um sistema de financiamento cultural que movimenta milhões de reais em projetos cinematográficos.

Carreira internacional e presença constante no debate político

Esta não foi a primeira vez que Wagner Moura participou do programa de Jimmy Kimmel. Em 2016, ele esteve no talk show para divulgar a série Narcos, na qual interpretou o narcotraficante Pablo Escobar, papel que lhe rendeu grande reconhecimento internacional e uma indicação ao Globo de Ouro.

Agora, com o novo filme e a indicação ao Oscar, o ator volta aos holofotes — mas também reacende o debate político que frequentemente acompanha suas declarações públicas.

Entre aplausos no estúdio americano e críticas no Brasil, a participação de Wagner Moura no programa acabou indo além da divulgação de um filme. Mais uma vez, cultura, política e polêmica caminharam lado a lado.

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