
Zambelli enfrenta dia decisivo na Justiça italiana
Audiência de extradição pode durar até nove horas e define se ex-deputada volta ao Brasil para cumprir pena
A quarta-feira (11) amanheceu tensa para Carla Zambelli. Presa em Roma desde julho do ano passado, a ex-deputada federal começou a ter seu futuro definido pela Justiça da Itália. A audiência que analisa o pedido de extradição teve início às 10h no horário local (6h em Brasília) e deve se estender por até nove horas.
Com cidadania italiana, Zambelli sustenta que é alvo de perseguição política no Brasil e tenta convencer os juízes a permitir que permaneça no país europeu. Do outro lado, o governo brasileiro pede seu retorno para que cumpra a pena determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
Logo no início da sessão, a defesa ocupou boa parte do tempo. O time de advogados é liderado pelo brasileiro Fábio Pagnozzi e pelo italiano Pieremilio Sammarco. Para garantir comunicação clara entre Zambelli e o colegiado de três juízes, uma tradutora brasileira radicada na Itália há mais de 30 anos acompanha o caso. Um pedido para substituir os magistrados responsáveis pelo julgamento foi negado na véspera.
Após a exposição da defesa, houve intervalo para o almoço. Na retomada, a acusação passou a apresentar seus argumentos. Representando a Advocacia-Geral da União (AGU) e o governo brasileiro, o advogado Alessandro Gentiloni atua no processo por meio de um escritório contratado especificamente para a causa.
A expectativa é que a audiência termine entre 18h e 19h no horário de Roma (14h e 15h em Brasília), podendo haver decisão ou eventual suspensão para continuidade posterior.
Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado. Dias depois, foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão em regime inicial fechado, além de multa equivalente a dois mil salários mínimos. A condenação se deu pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Agora, o que está em jogo é se a ex-parlamentar retornará ao Brasil para cumprir a sentença ou se conseguirá permanecer na Itália amparada por sua dupla cidadania. A decisão dos juízes italianos será determinante para os próximos capítulos desse caso que atravessa fronteiras e mobiliza o debate político e jurídico.