
Itália mantém juízes no caso Zambelli e extradição entra em fase decisiva
Defesa insiste em tese de perseguição política e tenta barrar envio da ex-deputada ao Brasil
A Justiça da Itália negou o pedido da defesa de Carla Zambelli para substituir os juízes responsáveis por analisar o processo de extradição da ex-deputada. A decisão mantém o colegiado atual e abre caminho para uma nova audiência, marcada para esta quarta-feira (11), às 6h no horário de Brasília.
Zambelli está presa na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, e participou da sessão por videoconferência. Seus advogados ainda podem recorrer da negativa no prazo de 15 dias, mas o processo segue avançando.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documento falso, a ex-parlamentar deixou o Brasil após a decisão e passou a ser considerada foragida pela Justiça brasileira. Ela possui cidadania italiana e afirma que não teve um julgamento imparcial no Brasil.
Defesa fala em perseguição e questiona decisões do STF
Os advogados de Zambelli sustentam que ela é alvo de perseguição política e judicial. Como argumento, lembram que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara havia se manifestado contra a cassação de seu mandato. Posteriormente, porém, o STF anulou a decisão da Câmara, entendendo que ela contrariava a Constituição.
A defesa também tem levantado preocupações sobre as condições carcerárias no Brasil. Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes enviou às autoridades italianas um documento detalhando a estrutura da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli deverá cumprir pena caso seja extraditada. O material incluiu informações sobre segurança, atendimento médico e estrutura física da unidade.
Além disso, os advogados tentaram que Zambelli aguardasse o julgamento em liberdade ou em prisão domiciliar na Itália, mas o pedido foi rejeitado. A Justiça italiana entendeu haver risco de fuga, citando o fato de ela ter deixado o Brasil logo após a condenação e ter sido localizada posteriormente em Roma.
Decisão italiana será determinante
Agora, caberá à Justiça italiana decidir se acolhe o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro ou se permite que Zambelli permaneça no país europeu para responder às acusações.
O caso envolve não apenas aspectos jurídicos, mas também debates políticos intensos no Brasil, especialmente sobre os limites entre decisões judiciais e atuação parlamentar. Enquanto a acusação sustenta que houve crime comprovado, a defesa insiste que a ex-deputada não teve garantias plenas de imparcialidade.