
Zambelli ignora prazo e pode pagar multa diária por manter imóvel da Câmara mesmo afastada
Deputada, que está foragida na Itália, não devolveu apartamento funcional e pode ter de arcar com multa de R$ 283 por dia; valor já ultrapassa R$ 850 e deve subir se a devolução não for feita até 15 de julho.
A deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) continua ocupando um apartamento funcional da Câmara dos Deputados, mesmo após o término do prazo legal para devolução. Ela se afastou oficialmente das atividades parlamentares no dia 4 de junho e, com isso, teria até 4 de julho para entregar o imóvel. No entanto, a Câmara informou que ainda não recebeu qualquer solicitação para devolução da residência funcional.
A situação se complica porque, segundo as regras da Casa, a ocupação irregular do imóvel acarreta multa. O valor é calculado com base no auxílio-moradia dos parlamentares, que atualmente é de R$ 4.253,00. A multa diária gira em torno de R$ 283,53. Até esta segunda-feira (8), a dívida de Zambelli já somava R$ 850,59. Caso a parlamentar siga ignorando o prazo, a partir do dia 15 de julho ela poderá ser penalizada com uma cobrança extra de R$ 4.253,00 — totalizando uma dívida superior a R$ 7,3 mil.
Zambelli está afastada desde o final de maio. Ela usou os primeiros sete dias da licença para justificar um suposto tratamento médico, e depois pediu mais 120 dias para tratar de “interesses pessoais”. Apesar da licença, a deputada foi vista em uma live, diretamente dos Estados Unidos, anunciando que não pretende retornar ao Brasil. Pouco depois, a situação se agravou: Zambelli foi incluída na lista vermelha da Interpol e hoje é considerada foragida na Itália, onde tem cidadania.
A defesa da parlamentar afirma que não foi notificada formalmente para devolver o imóvel. Já a Câmara diz que segue aguardando a devolução, como determina o regimento interno.
Zambelli usava o apartamento desde março de 2021. Se ultrapassar o prazo sem justificativa ou devolução, a multa pode continuar crescendo, num cenário que escancara o descaso com o bem público mesmo quando o ocupante está oficialmente ausente — ou foragido.